APESAR DE VCs

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Retomaremos este Blog para postar as Histórias da Ditadura, como um BLOG janela ligado ao Blog JUNTOS SOMOS FORTES

NOSSOS HEROIS -

NOSSOS HEROIS -
Amigos(as) Criei uma pagina no FACEBOOK intitulada : NOSSOS HERÓIS. Meu objetivo é resgatar a história dos mineiros (as) que lutaram contra a ditadura militar. Fui Presidente do Comitê Brasileiro Pela Anistia/MG e estou postando todas anotações que fiz durante esse periodo. São documentos históricos e inéditos. Caso tenha interesse dê uma olhadinha Abraços BETINHO DUARTE

Friday, March 11, 2011

LÚCIA MARIA DE SOUZA (1944-1973)

LÚCIA MARIA DE SOUZA (1944-1973)

Filiação: Jovina Ferreira e José Augusto de Souza

Data e local de nascimento: 22/06/1944, São Gonçalo (RJ)

Organização política ou atividade: PCdoB

Data do desaparecimento: 24/10/1973

Estudante da Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro participava do Movimento Estudantil como integrante do PCdoB. Era responsável pela impressão e distribuição do jornal

A Classe Operária, no Rio de Janeiro, nos anos de 1969 e 1970, atividade que realizava junto com Jana Moroni, também desaparecida no Araguaia. Afrodescendete, cursava o 4º ano

da faculdade e era estagiária do Hospital Pedro Ernesto, quando entrou para a clandestinidade, indo viver na Região do Araguaia, próximo de Brejo Grande. Vivia com Libero Giancarlo

Castiglia, também desaparecido. Destacou-se como parteira e no trabalho pesado de derrubada da mata. Era membro do Destacamento A, utilizando o nome Sônia. Em combate, foi

ferida e morreu em 24/10/1973, próximo da grota Água Fria, onde seu corpo teria sido abandonado, conforme depoimento de Agenor Morais da Silva.

Conforme o Relatório Arroyo: "no dia 23, pela manhã, dois outros companheiros foram levar, até a estrada que vai para São Domingos, um rapazinho que, por acaso, se

encontrava com os nossos. Nesse mesmo dia, os demais, em número de 11, deslocaram-se para a margem esquerda do Fortaleza. Dois helicópteros e um avião começavam a

sobrevoar a área. No dia 24, Sônia (Lúcia Maria de Souza) e Manuel (Rodolfo de Carvalho Troiano) foram ao encontro dos dois que haviam levado o rapazinho. Não

encontraram. À tarde, novamente Sônia e Wilson (elemento de massa) voltaram ao local de encontro. Recomendou-se que não fossem por um pizeiro antigo, pois ali poderia haver

soldados emboscados. Acontece que Sônia acabou indo pelo pizeiro e, como decidisse caminhar descalça, deixou a botina no caminho. Quando voltou não encontrou a botina.

Pensou que fosse brincadeira de gente de massa. Chamou por um nome conhecido. Apareceu uma patrulha do Exército que atirou nela, deixando-a ferida. Os soldados - segundo

relatou gente de massa - perguntaram-lhe o nome. E ela respondeu que era uma guerrilheira que lutava por liberdade. Então o que comandava a patrulha, respondeu: 'Tu queres

liberdade. Então toma...' - desfechou vários tiros e matou-a. Wilson conseguiu escapar".

O "livro negro do terrorismo", elaborado pelo CIE por determinação do ministro Leônidas Pires Gonçalves, registra: "Ainda no mês de outubro, nessa mesma região, helicópteros

assinalaram um grupo de terroristas deslocando-se pela estrada que demanda a São Domingos.

Orientada uma patrulha para a área, houve o encontro do qual resultou um terrorista morto e possivelmente pelo menos um ferido. O morto seria identificado como Lúcia Maria

de Souza (Sônia)".

O relatório do Ministério do Exército afirma que "foi morta no dia 24/10/1973, em confronto com as forças de segurança ocorrido entre Xambioá (GO) e Marabá (PA)". Em

entrevista à revista IstoÉ (04/09/1985), o então major Sebastião Rodrigues de Moura, o Curió, - atualmente coronel da reserva e um dos primeiros oficiais do CIE enviado para o

Araguaia - revelou que Lúcia foi ferida, caiu e sacou um revólver escondido na bota, ferindo-o no braço e a um capitão do CIE, Lício Augusto Ribeiro Maciel no rosto.

Com base no Dossiê Araguaia, escrito por militares que participaram da repressão à guerrilha, o jornalista Hugo Studart explica que a guerrilheira, mesmo ferida, se arrastou,

embrenhando-se na mata, sendo perseguida por dois militares do Exército, um deles chamado Javali Solitário ou J. Peter, suboficial, e o outro sargento, de codinome Cid, autor do

relato: "Era umas 17h30 e já escurecia. Eu e o Javali fomos atrás da Sônia, que havia entrado em uma mata de capim de mais ou menos um metro de altura. Quando chegamos, ela

estava deitada de costas, com o 38 ainda na mão, muito ferida. Respirava com dificuldade, tinha muitas balas de 9 milímetros no corpo (...) Ao chegar, ela quis levantar a arma.

Eu pisei em seu braço e perguntei seu nome. Ela disse: 'Guerrilheiro não tem nome'. Eu respondi: 'Nem nome nem vida'. Eu e o Javali apontamos juntos nossas metralhadoras

para dar o tiro de misericórdia. Não soltamos mais os gatilhos. Ela ia morrer mesmo, só reduzimos o sofrimento dela. Só paramos quando as balas das nossas metralhadoras

terminaram. Ela ficou com mais de 80 furos".

Elio Gaspari, em A Ditadura Escancarada, descreve com detalhes a morte de Lúcia Maria, a Sônia, e desfaz fantasias de algumas importantes fontes militares sobre o episódio. No que

tange ao general Hugo Abreu, o jornalista relata: "Anos depois, o general Hugo Abreu, que comandava a tropa pára-quedista, contou a seguinte história: 'Lembro-me de um casal

que matamos - eles mataram um major e eu tive de mandar matá-los. A moça deveria ter uns vinte anos e era belíssima, o rapaz, uns 25 anos. Digo a vocês que não sentia ódio dos

guerrilheiros. No caso desse casal, o que senti foi pena'. Hugo Abreu revelava o seu mundo de fantasias. Não morreu major no Araguaia. A guerrilheira não foi morta por ordem

de ninguém, mas na cena do combate em que feriu os dois oficiais. O acompanhante de Sônia não tinha 25 anos, nem morreu. Era um adolescente e fugiu. Foi achado dias depois

e sobreviveu à guerrilha. Três moradores da região asseguram que o corpo de Sônia ficou na lama da Borracheira. Tornou-se repasto de animais".

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+ detelhes

Lúcia Maria de Souza
Militante do PCdoB
Apelidos: Sônia Cor: branca. Altura: 166cm Idade: 29 anos Sexo: fem. Cabelo: cast./esc./crespo. Data e local de nascimento: 22/06/44, em São Gonçalo/RJ Filiação: José Augusto de Sousa e Jovina Ferreira.

Biografia

"Jovem de origem pobre, com grandes dificuldades financeiras conseguiu ingressar na Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro. Participava ativamente do movimento estudantil e era responsável pela impressão e distribuição do jornal A Classe Operária, no Rio de Janeiro nos anos de 1969 e 1970.
Cursava o 4º ano de medicina quando abandonou a cidade indo viver na região do Araguaia, próximo de Brejo Grande. Destacou-se como parteira, sendo por isto mesmo muito estimada. Pessoa muito carinhosa, rapidamente conquistou a amizade dos companheiros e companheiras. Esforçou-se bastante para se adaptar à região, chegando a superar muitos companheiros homens no trabalho físico de derrubada de mata, no uso do facão, na capacidade de transportar grandes pesos.

Sua vontade de aprender sempre mais, levava-a a estudar até tarde da noite, sob a luz do lampião, tanto os compêndios de medicina, como os clássicos marxistas. Era grande admiradora de música clássica. Era membro do Destacamento A - Helenira Resende. Em combate, foi ferida e presa.

Ao ser interrogada disse: "Sou uma guerrilheira que combate pela liberdade!" Seus algozes, irritados, assassinaram-na no próprio local, no dia 24/10/73." Vivia com Libero Giancarlo Castiglia.

Foi assassinada próximo da grota Água Fria, onde seu corpo teria sido abandonado. - depoimento de Agenor Morais da Silva. Homenagens: Nome da antiga Rua 11, no Residencial Cosmo I, em Campinas, com início na antiga Rua 06 e término na antiga Av. 04 Cid. Sat. Íris - Lei nº 9497, de 20/11/97. Dados referentes a prisão, morte e/ou desaparecimento: Citada no Manifesto dos familiares dos mortos e dasaparecidos na guerrilha do Araguaia, no II Congresso Nacional Pela Anistia, novembro/79 - Salvador/BA, publicado no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro de 11/04/80, ano VI, nº 69, parte II.
Citada na Relação de pessoas dadas como mortas e/ou desaparecidas devido às suas atividades políticas, da Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária da Ordem dos Advogados do Brasil - seção do Estado do Rio de Janeiro - outubro de 1982.

Relatório Arroyo: "E no dia 23, pela manhã, dois outros companheiros foram levar, até a estrada que vai para São Domingos, um rapazinho que, por acaso, se encontrava com os nossos. Nesse mesmo dia, os demais, em número de 11, inclusive o membro da CM, deslocaram-se para a margem esquerda do Fortaleza. Dois helicópteros e um avião começavam a sobrevoar a área. No dia 24, Sônia e Manuel [Rodolfo de Carvalho Troiano] foram ao encontro dos dois que haviam levado o rapazinho. Não encontraram. À tarde, novamente Sônia e Wilson (elemento de massa) voltaram ao local de encontro. Recomendou-se que não fossem por um pizeiro antigo, pois ali poderia haver soldados emboscados.
Acontece que Sônia acabou indo pelo pizeiro e, como decidisse caminhar descalça, deixou a botina no caminho. Quando voltou não encontrou a botina. Pensou que fosse brincadeira de gente de massa.

Chamou por um nome conhecido. Apareceu uma patrulha do Exército que atirou nela, ficando ferida. Os soldados - segundo relatou gente de massa - perguntaram-lhe o nome. E ela respondeu que era uma guerrilheira que lutava por liberdade. Então o que comandava a patrulha, respondeu: "Tu queres liberdade. Então toma..."- desfechou vários tiros e matou-a. Wilson conseguiu escapar."

Informações obtidas através de documentos das Forças Guerrilheiras do Araguaia: Sua morte é citada no Comunicado n.º 8 das Forças Guerrilheiras do Araguaia.

Relatório do Ministério Exército: Filha de José Augusto de Souza e de Jovina Ferreira, nascida no dia 22 Jun. 44, em São Gonçalo/ RJ. Militante do PCdoB, participou da guerrilha do Araguaia, onde utilizava os codinomes "Marise" e "Sônia", atuando no Destacamento A. Foi morta no dia 24 Out. 73, em confronto com as forças de segurança ocorrido entre Xambioá/GO e Marabá/PA. Relatório do Ministério da Marinha:

- Dez/68 - participou ativamente das atividades do PCdoB, no período de 1968 até 1975. - Nov./74 - relacionada entre os que estiveram ligados à tentativa de implantação de guerrilha rural, levada a efeito pelo comitê central do PCdoB, em Xambioá. - Morta em 24 Out. 73.

Relatório do Ministério da Aeronáutica: Militante do PCdoB e guerrilheira do Araguaia. Segundo o noticiário da imprensa nos últimos 18 anos e documentos de entidades de defesa dos direitos humanos, teria sido morta ou desaparecida no Araguaia. Não há dados que comprovem essa versão.
Arquivos do DOPS/SP: tem um documento referente a Marise. Fichas entregues ao jornal O Globo em 1996:

Informações e depoimentos
O btidos através da imprensa ou dos familiares:

"Além desse, há outros de que sei apenas os nomes pelos quais eram conhecidos lá....Sônia, estudante de medicina, queridíssima pela massa que ao ser presa e ao lhe perguntar o nome, responde: "Sou uma guerrilheira que luta pela liberdade"... " [Depoimento de Elza Monerat]. "- O major Curió foi baleado na mesma região, por uma mulher chamada Sônia." Joãozinho Batista, o menino que estava com "Sônia" diz que ela foi morta na Grota Água Fria. Seu corpo teria sido abandonado no local sem ser enterrado
- depoimento de Sivaldo, cunhado de João Batista (filho de Antônio Alfredo). "Conheci o "Nelito", a "Cristina", o "Duda", o "Antônio", o "Nilo", a "Rosinha", o "Zé Carlos", o "Lino", o "Waldir", o "João Araguaia", a "Fátima", a "Sônia" e o "Edio". Eles convidavam o povo para a libertação. ...Nelito e Zé Carlos foram mortos na localidade do Caçador, pegaram o Édio vivo, o Duda teve a perna quebrada; a Rosinha eu vi ser presa, encontrei-a na Vila São José e ela pediu para a gente rezar por ela, pra não morrer." (Depoimento de Maria Raimunda Rocha).

"Curió que promete para breve um livro sobre o que ocorreuno Pará. Desde já, porém, ele avisa que se limitará à abordagem "dos aspectos estratégicos". Assim, não se ficará conhecendo sua versão sobre o tiroteio em que morreu Lúcia Maria de Souza, no qual Curió e um capitão do CIE sairam feridos. Curió contou a militares amigos que Lúcia ou "Sônia", seu codinome, estava ferida, no chão, quando sacou de um revólver escondido na bota, e o atingiu no braço e ao capitão do CIE, no rosto. Foi fuzilada."[o revólver não poderia estar na bota pois estava descalça].

"O coronel da reserva Sebastião Curió Rodrigues de Moura, um dos primeiros oficiais do CIEx enviado para o Araguaia, destaca a coragem das guerrilheiras do PCdoB que atuaram no Araguaia. Exibindo uma cicatriz na barriga - resultado de um tiro que recebeu de Lúcia Maria de Souza, a Sônia, estudante de Mediciana -, Curió conta que a audácia das mulheres guerrilheiras era temida pelos soldados. (...)."
"Dona Margarida conta detalhes da vida e morte de Sônia e outros guerrilheiros, que marcaram sua vida. Sônia, que chegou a receber um elegio do Major Curió por sua bravura. O algoz que a matou e que por ela foi baleado. (...) Numa noite de janeiro, chegaram à casa dos Félix os geuerrilheiros Sônia (que segundo dona Margarida parecia ser a "chefe" do grupo), Rosinha, Nelito, Zé Bão, Barba de Ouro, Valdir, Beto, Antônio, Nunes, Orlandino, Piauí e Dudinha. (...) ... ela (Sônia ) era alta, de cabeça pequena, tinha obturações de ouro na boca, fumava muito, só usava calça, uma espingarda, um revólver, uma bússola, uma mochila e uma faca grande de ponta fina, que ela usava para tirar espinhos dos pés dos seus companheiros. (...) Quando eu perguntava se ela ia matar os soldados ela dizia que não e respondia: soldado é cachorro do governo. Só atiro em quem tiver galão, relembra.

(...) Em meados de outubro, dona Margarida não se recorda o dia exato, Sônia foi metralhada e morta na Grota da Borracheira, onde tinha marcado um encontro com um jovem camponês que estava tentando recrutar. O Exército prendeu o rapaz e provocou o encontro fatal. Segundo dona Margarida, ouviram-se disparos no final da tarde. No dia seguinte, nove soldados, entre eles um índio e um venezuelano, afirma, lhe trouxeram a notícia da morte para confirmar a identidade da Sônia, que morreu sem falar o nome. Os soldados lhe relataram a seguinte cena: Sônia foi emboscada e metralhada nas pernas e coxas. Quando lhe deram voz de prisão e pediram para colocar as mãos na cabeça, ela levou a mão esquerda para cima e a direita puxou o revólver 38, que efetuou dois disparos, um atingindo a face do major Curió e outro o braço de um chamado dr. Ivan. Em seguida, ao ouvir gemidos, sorriu e disse: Uau, tem gente ferido aí...

Dominada, ainda respondeu duas perguntas. Na primeira, ao perguntarem seu nome, teria afirmado: guerrilheira não tem nome e na segunda, a razão de sua luta: estou atrás de liberdade e de um mundo melhor. (...)

O corpo de Sônia não foi enterrado. (...) seis meses depois meu irmão passou por lá e estavam os ossos e os cabelos da Sônia. Ele ainda pegou um isqueiro dela. Com o tempo, as queimadas dever ter dado fim nos ossos, afirma dona Margarida".

"Filha de uma família humilde do Rio de Janeiro, a estudante de Medicina Lúcia Maria de Souza ficou popular no Araguaia fazendo trabalho de parteira. Num choque na selva, conseguiu ferir o capitão Curió com um tiro no braço, antes de morrer. "Quem é você?", perguntou o capitão. "Guerrilheira não tem nome, seu f.d.p.", respondeu ela."

"Sinvaldo tem recordações fortes da guerrilheira Sônia, alta, fina, branca, cabelos negros e lisos, e foi quem salvou o menino João Batista, filho adotivo de Alfredo ..." "...no mesmo ano (teria sido num dia de outubro), ele teria assistido a tropas do então major Sebastião Curió fuzilarem a guerrilheira carioca Lúcia Maria de Souza, a Sônia. Surpreendida na mata, em companhia de um menino de 10 anos, Sônia disparou dois tiros, acertando Curió no braço e o capitão Arturo no rosto. Ferida na perna, a guerrilheira travou o seguinte diálogo com Curió. - Qual o seu nome? - perguntou Curió à guerrilheira, já estendida no chão. - Guerrilheira não tem nome, seu filho da puta. Eu luto pela liberdade - respondeu Sônia.

Em resposta, ela foi crivada de balas, enquanto o menino fugia pela mata debaixo de fogo cerrado. Segundo Vanu, Sônia foi enterrada na cabeceira da pista do acampamento de Bacabas, onde fica hoje a fazenda de mesmo nome. Ao voltar ao local, acompanhado da equipe de reportagem do Globo, o ex-guia constatou que a cova de Sônia está próxima a um chiqueiro."

"A mulher de Tota, Margarida Pereira Félix, 48 anos, prestou um depoimento comovente aos integrantes da comissão. Ela disse que a guerrilheira Lúcia Maria de Souza, conhecida como Sônia, sequer chegou a ser enterrada. "Meu irmão (João dos Reis, já morto) viu os restos mortais de Sônia seis meses após a morte dela". O corpo, segundo ela, foi identificado a partir de um isqueiro. "Eu tenho certeza que era dela", disse."

"Testemunhou oralmente Margarida Ferreira Félix da Silva, esposa do Tota, no sentido de que a "Sônia", Lúcia Maria de Souza (desaparecida listada no Anexo I da lei), não foi enterrada, esclarecendo a dificuldade de se localizar restos mortais sem ter sido enterrada." "Desaparecida em meados de outubro de 1973 na região da Água Branca, OP 1. Sua sepultura localiza-se na região referida acima."

Em entrevista ao SBT, em julho/96, ele dá outra versão - diz que ela se rendeu ao receber voz de prisão apenas com o braço esquerdo levantado e quando os militares se aproximaram dela, ela atirou, ferindo-o no braço e um oficial no rosto. Tinha platina nos dentes, não tinha ouro - depoimento de Adalgisa Morais da Silva, julho/96. Ela estava dentro d'água, num açaizal, quando foi ferida. Ela baleou o Curió e outro militar. Foi morta nas cabeceiras do Igarapé Agua Fria, perto da roça do Peixinho

- depoimento de Agenor Morais da Silva, julho/96. Ela estava com um revóver só com duas balas, um tiro ela acertou no braço do Curió e o outro no outro militar. Ela levou muitos tiros. Não foi enterrada, foi jogada no brejo

- depoimento de Peixinho,em julho de 1996. "Não me lembro o nome do guerrilheiro, mas sei que os militares também pegaram a guerrilheira Sônia." [Morta em 23/10/73, portanto há contradição com o que ele diz mais adiante que ficou apenas 45 dias na guerrilha, em 1972.]" atirou em Curió, antes de ser morta - depoimento de Venâncio de Jesus. (A guerrilha do Araguaia - Ed. Alfa Ómega.) José Rufino Pinheiro, 82 anos, foi um dos que, depois de muita pancada, virou guia. Ele é testemunha das mortes dos guerrilheiros Osvaldão (Osvaldo Orlando da Costa) e Sônia. O mitológico Osvaldão, ex-atleta do Botafogo do Rio e o mais odiado pelo Exército por ter sido tenente da reserva, foi morto pelas costas com um tiro. Sônia caiu numa emboscada e foi metralhada nas pernas. Rufino conta que os militares ainda tentaram interrogá-la, mas ela não respondeu a nenhuma pergunta, sendo depois executada.

"Sra. Margarida Ferreira Félix, (...) que o primeiro encontro com estas pessoas, foi em 1972, pelo mês de outubro, quando às 21:00 hs, algumas pessoas chegaram na casa da declarante; que eram duas pessoas, uma chamada Sônia e a outra Rosinha, e posteriormente chegou um terceira pessoa chamada Nelito; (...) que apresentada à depoente o cartaz do PCdoB sobre desaparecidos políticos no Brasil, a depoente reconhece a Sra. Lúcia Maria de Souza, como sendo a Sônia; (...) como sendo guerrilheiros que a depoente conheceu naquela época; (...) e que no dia 17 de outubro a depoente ouviu uma rajada de metralhadora às 17:00 hs próxima à sua casa no Sítio Água Boa, e a rajada vinha da Grota da Borracheira; que no dia seguinte o Exército cercou a casa da declarante e a entrevistaram para saber se a declarante conhecia a Sônia, e a declarante disse que sim, descrevendo-a fisicamente e sua vestimenta; que os soldados do exército disseram que a Sônia já era, e que as rajadas que a declarante ouvira no dia anterior foram dadas nela; que os soldados descreveram como a Sônia foi morta: que os soldados emboscaram a Sônia na Grota da Borracheira, através de uma camponês que foi capturado, e que iria se encontrar com ela; que quando ela foi abordada, ela conseguiu dar dois tiros, atingindo o Sr. Curió no rosto e num outro doutor; que em seguida ela foi metralhada apenas nas pernas, mas continuou viva; que então, embora muito ferida, ela foi interrogada, mas pouco disse, a não ser sorrir, tendo sido morta pelos soldados; que o corpo da Sônia não foi enterrado, sendo deixado no local, e o irmão da depoente, João dos Reis Nonato da Silva, viu os restos da Sônia, meses após o ocorrido, no local onde foi morta; (...)"

"Adão Rodrigues Lima e Salviana Xavier Lima ... que, no início da década de 70, os declarantes já haviam abandonado o garimpo e viviam da lavoura; que na mesma época moravam na região as pessoas conhecidas como Piauí, Alfredo, Zé Carlos e Sônia, as quais eram consideradas pessoas amigas dos declarantes, tendo com elas mantido boas relações já que eles se ajudavam mutuamente com produtos da roça; que a declarante tinha um ferimento da coxa, conhecido por leicho mas que foi tratada pela Sônia, ficando curada; que nunca mais viram Piauí, Sônia, Zé Carlos e Zebão, tendo ouvido falar que eles foram mortos pelo Exército; que oferecido para reconhecimento dos declarantes as fotos dos desaparecidos políticos da Guerrilha do Araguaia, ambos reconheceram Sônia (Lúcia Maria de Souza), Zé Carlos (André Grabois), Zebão (João Gualberto Calatroni) e Mário (Maurício Grabois)". "Maria Nazaré Ferreira Brito (...) queoferecido para reconhecimento da declarante as fotos dos desaparecidos políticos da Guerrilha do Araguaia, reconheceu Sônia( Lúcia Maria de Souza) e Zé Carlos (André Grabois)". "Sr. José Moraes Silva, (...); que a mãe do declarante foi auxiliada no parto de seu irmão mais novo, pela Sônia e pela Fátima, guerrilheiras, afirmando o declarante, que, se não fosse as duas, certamente sua mãe e seu irmão teriam morrido, em virtude de problemas no parto; (...) que segundo as palavras do Peixinho, quando mataram a Sônia, ela estava tomando banho e ao ser rendida, levantou os braços e escondeu uma arma atrás das roupas, tendo atirado contra os soldados, ferindo um deles talvez o Curió e sendo morta logo a seguir; que o corpo de Sônia foi deixado no local, sem ser enterrado; (...) ". "Sr. Lauro Rodrigues dos Santos, (...) que a partir do ano de 1970 começou a manter contatos com as pessoas conhecidas como guerrilheiras, a saber, Osvaldão (Osvaldo Orlando da Costa), Zé Carlos (André Grabois, Alice (Criméia Alice Schmidt), dona Maria (Elza Monnerat), Joca (Libero Jean Carlo Castiglia), Luis (Guilherme Gomes Lund), seu Mário (Maurício Grabois), Sônia (Lúcia Maria de Souza), Zezinho (Marcos José de Lima), Alandrino (Orlando Momente), Cid (Jo ão Amazonas), seu Beto (Lúcio Petit da Silva) e sua companheira Regina (Lúcia Regina de Souza Martins), Goiano (Divino Ferreira de Souza); (...)".

"Sr. Pedro Moraes da Silva, (...) que, por ocasião do nascimento de sua irmã, Valderice, o parto foi realizado pela guerrilheira Sônia; (...) que, oferecido para reconhecimento do declarante, as fotografias dos desaparecidos políticos da Guerrilha do Araguaia, reconheceu Sônia (Lúcia Maria de Souza), João Araguaia (Dermeval da S. Pereira), Zé Carlos (André Grabois), Landinho (Orlando Momente) que usava um chapéu de couro de macaco da noite com rabo; Tuca (Luiza Augusta Garlipe), Beto (Lúcio Petit da Silva), Rosinha (Maria Célia Correa), Dina (Dinalva Oliveira Teixeira), Cristina (Jana Moroni Barroso) que ia sempre aos sábados lavar a roupa na casa do declarante e se escondia no mato, esperando até que a roupa secasse, Nunes (Divino Ferreira de Souza), Fátima (Helenira Resende de Souza Nazareth), com quem o declarante se perdeu no mato, de noite, quando foi buscar um remédio para Sônia, que estava fazendo o parto de seu mãe quando nasceu a Valderice; Duda (Luis Renê Silveira e Silva), cujo corpo foi jogado em castanhal na Região Gameleira, (...)".

"Sr. João Vitório da Silva, (...) que morava próximo do igarapé Fortaleza quando conheceu os guerrilheiros Orlando, Zezinho, Toninho, Piauí, Zé Carlos, Sônia, Dina, Regina, Fátima, Rosinha; (...)". "Srª. Rocilda Souza dos Santos (...) que a declarante e seu marido conheciam Nelito, Rosa, Sônia, Cristina, João Araguaia, Paulo, Edinho, Londrin, Duda, os quais diziam serem guerrilheiros, entretanto o Exército dizia que eles eram terroristas; que os guerrilheiros freqüentavam a casa da declarante e pessoas educadas, prestativas, cuidavam dos doentes, inclusive a Sônia prestou atendimento em uma ocasião ao seu marido que estava com febre decorrente de malária; que Sônia também cuidou de Dalva, sua filha, que estava adoentada com dores na barriga; (...)"

"Sr. José Rufino Pinheiro, (...) que o declarante ficou por 06 meses e 16 dias ajudando o Exército na mata, guiando-os; que o batalhão que o declarante servia de guia era composto de 32 soldados; que nessa condição testemunhou a morte de Sônia e Osvaldão; que a morte de Sônia ocorreu perto da casa do finado Hilário, sogro do Peixinho, por volta de dez horas; que Sônia foi alvejada quando ia saindo da mata para a casa, sendo que quando o declarante a viu ela só mexia a cabeça; que não sabe qual o destino dado ao corpo de Sônia, pois seguiu em frente com o batalhão; que também presenciou a morte de Osvaldão, na capoeira do Pedro Loca, junto da Palestina; que Osvaldão foi morto, por volta de 4 horas da tarde, por Arlindo Piauí, que era guia formado (homem de confiança do Exército); que Osvaldão quando foi alvejado estava de costas, comendo macaxeira sentado num tronco caído; que Osvaldão estava muito magro e com fome; que Osvaldão foi atingido com um tiro só de uma 12; que o Exército levou o corpo de Osvaldão para Xambioá; que Osvaldão foi um dos últimos guerrilheiros a morrer na região, sendo após o declarante dispensado da função de guia; (...) que oferecido para reconhecimento do declarante as fotografias dos desaparecidos políticos da Guerrilha do Araguaia, reconheceu Osvaldão (Osvaldo Orlando da Costa), Sônia (Lúcia Maria de Souza)".

"Sr. Manoel Ferreira, (...) que conheceu Zé Carlos, Piauí, Sônia, Orlando, Zezinho, Luizinho, Fátima, Regina, dona Maria, Mário; que tinha demais amizade com os guerrilheiros, tanto que compartilhava arroz, farinha com eles; que, quando fraturou o braço direito, a Sônia e o Zé Carlos acudiram o declarante, cuidando-o; (...)".

"Sra. Adalgisa Moraes da Silva, (...) que os guerrilheiros haviam colocado fogo em uma ponte na Transamazônica, no Município de São Domingos; que a Rosinha, a Sônia, o Nelito, o João Araguaia, o Nunes, o Orlandinho, o Beto, o Alfredo, o Zé Carlos, o Edinho e Valdir e o Zebão colocaram fogo na ponte para impedir que os carros passassem; que eles atacaram um posto da polícia militar e colocaram um soldado para ir à pé até Marabá, vestindo apenas uma cueca, pegaram as armas, as facas, o Alfredo vestiu a roupa do sargento, e passaram logo após na casa da declarante, vestindo roupa da Polícia Militar; que eles passaram na casa da declarante um dia após os fatos; que eles queimaram a ponte numa 6a feira, atacaram o posto da Polícia Militar no Domingo e estiveram na casa da declarante na 2a feira seguinte; (...) ".

"Srs. Luiz Martins dos Santos e Zulmira Pereira Neres, (...) que conheceu os seguintes guerrilheiros: Sônia, Nelito, que eram os mais próximos dos declarantes, (...) que, em uma noite, no ano de 1973 ou 1974, não sabendo precisar bem a data, Zé Catingueiro, um camponês, a pedido de Sônia e outros guerrilheiros, convidou os declarantes a deixarem sua residência e acompanhar os guerrilheiros, já que estes temiam que alguma coisa pudesse acontecer com a família dos declarantes; que alguns dias após o Zé Catingueiro ter convidado os declarantes a acompanhar os guerrilheiros, Sônia e outros guerrilheiros foram à casa dos declarantes convidá-los a segui-los; que os declarantes decidiram seguir os guerrilheiros, levando seus filhos; (...) que as mulheres e as crianças ficavam nos barracos e os homens foram para o meio da mata; que os declarantes ficaram com o grupo do Nelito; que a Sônia fazia parte de outro grupo; (...) que o grupo inteiro era constituído de 9 pessoas, sendo que Nelito era o único representante do povo da mata; que o outro grupo era composto pela Sônia, Zé Carlos e outras pessoas; (...) que Pedro Carretel e dona Izaura faziam parte do grupo de guerrilheiros que ficavam com Zé Carlos e Sônia; (...)".

"Srª. Maria de Lourdes Câmara, (...); que conheceu a Sônia certa vez quando ela passou pela sua casa com um burro e uma carga; que sabia que a Sônia havia operado uma conhecida da declarante que estava muito doente; (...)".

"Sr. José Francisco Dionísio (...) que essas pessoas que mais vinham eram o Piauí, a Sônia, o Osvaldão e o José Carlos; (...) que a Sônia era uma pessoa muito atenciosa com os moradores, dando assistência médica aos moradores; que o declarante não sabia o que eles faziam, (...)".

"Sr. Agenor Moraes Silva, (...) que o declarante conheceu os 4 grupos de pessoas que viviam na mata, mas o declarante tinha mais intimidade com o grupo do Chega com Jeito, integrado pela Sônia, Fátima, José Carlos, Mauro Borges (a Sônia dizia que era o pai dela), (...)". "Francisca Pereira Feitosa, (...); que não viu nenhum guerrilheiro morto, soube apenas que Sônia morreu lutando". "Manoel Leal de Lima (...) conhecido como Vanu (...) que o declarante morava na localidade perto de Chega com Jeito, onde hoje é a Brasispânia; que conhecia os guerrilheiros mas não mantinha contato com eles; (...) que lembra do Piauí, Zé Carlos, Fátima, Sônia, Cristina, Rosinha e Duda; que a Sônia era doutora e dava remédios para as famílias dos lavradores;(...)".

"Pedro Matos do Nascimento, vulgo Pedro Mariveti (...)Logo após o término da primeira campanha, o depoente recebeu a visita de Piauí, João Araguaia e Sônia. O depoente aproveitou e levou Sônia para ver um vizinho que estava com um ferimento na boca. Sônia receitou um medicamento que terminou por curar o vizinho. (...) Disse que quando Sônia foi morta ela estava acompanhada por um menino, filho de um camponês que havia ingressado na guerrilha; (...)".

"Alta Gomes de Araújo (...) morava, juntamente com três filhos de criação, em terra de propriedade do casal na localidade de São José; que conheceu diversos guerrilheiros, entre os quais Zé Carlos, Sônia e Fátima; que muitas vezes serviram os guerrilheiros, emprestando sal, farinha ou até mesmo vendendo fumo; (...)".

Publicado em 08.03.2010 Fundação Mauricio Grabois

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Poema.

Poemas : VERA, IARA, DINALVA, LÚCIA, MARIA LÚCIA E TODAS NÓS TAMBÉM

Quando ela morreu,
Eu morri também.

Aos pés dela, bebi
A paixão, reverenciei
O passado, me curvei
Ao fogo que via em
Suas mãos.
(Ela era o meu obscuro amor)

Atrás daqueles olhos,
A História tinha um outro nome.
Aprendi com ela a soletrar
Ordem e progresso sangrando.
Aprendi também a manter as
Garras e a alma afiadas:
A lâmina do ódio cortava
Sempre os meus pulsos.

Eram os anos do trovão.
Eram os anos de sangue
E eu era apenas uma
Garota com um grito
Na garganta, nem puta,
Nem santa.
Apenas floresci na lama,
Com os olhos cheios de
Medo e chamas.

Ela nunca se rendeu.
Foi torturada como um homem.
(Eles disseram)
Mas sobreviveu ao tempo,
Abraçou o infinito, exilou-se
Em sua luz.

Seu sorriso não era mais um sorriso.
Mas seus olhos ainda eram o céu.
Ela conheceu a pura pureza do
Desespero, ela foi além do bem e
Do mal.
Seus propósitos eram eternos como
Esta bandeira que embalo em minha
Calma dor.

Atrás daqueles olhos,
A História conheceu a noite perpétua
E sucumbiu às cinzas eternas.
Atrás daqueles olhos,
A mulher brasileira do ontem-já-agora.

Karla Bardanza

Este poema é dedicado à Vera Sílvia Magalhães, Iara Iavelberg, Dinalva Oliveira Teixeira, Lúcia Maria de Souza, Mária Lúcia Petit e a todas as brasileiras que lutaram contra a ditadura e morreram por um Brasil livre.

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