APESAR DE VCs

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Retomaremos este Blog para postar as Histórias da Ditadura, como um BLOG janela ligado ao Blog JUNTOS SOMOS FORTES

NOSSOS HEROIS -

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Amigos(as) Criei uma pagina no FACEBOOK intitulada : NOSSOS HERÓIS. Meu objetivo é resgatar a história dos mineiros (as) que lutaram contra a ditadura militar. Fui Presidente do Comitê Brasileiro Pela Anistia/MG e estou postando todas anotações que fiz durante esse periodo. São documentos históricos e inéditos. Caso tenha interesse dê uma olhadinha Abraços BETINHO DUARTE

Friday, March 11, 2011

RUBENS BEIRODT PAIVA (1929-1971)


 

RUBENS BEIRODT PAIVA (1929-1971)
Filiação: Aracy Beirodt Paiva e Jaime de Almeida Paiva
Data e local de nascimento: 26/09/1929, Santos
Organização política ou atividade: não definida
Data e local do desaparecimento: 20/01/1971, Rio de Janeiro
Paulista de Santos, engenheiro civil, empresário, Rubens Paiva tinha sido, em abril de 1964, vice-líder do PTB na Câmara dos Deputados, o mesmo partido político do presidente
deposto. Teve seu mandato cassado imediatamente, conseguiu asilo na embaixada da Iugoslávia e viveu durante alguns anos no exílio. Desapareceu em janeiro de 1971. Não houve
processo na CEDMP porque a família não requereu a indenização prevista, preferindo a via do Poder Judiciário para garantir a devida reparação.
Rubens Paiva era casado com Eunice Paiva, que integrou a CEMDP nos meses iniciais de suas atividades. Tiveram cinco filhos. Em 1982, Marcelo Rubens Paiva, o filho que se tornou
escritor e que tinha 11 anos em 1971, emocionou o país ao relatar o grave acidente que o deixou paraplégico, evocando também suas memórias sobre o desaparecimento do pai, em
Feliz ano velho, livro de grande sucesso entre a juventude, vencedor do Prêmio Jabuti e levado ao teatro e ao cinema.
Rubens formou-se engenheiro civil em 1954, na Escola de Engenharia da Universidade Mackenzie, em São Paulo, sendo escolhido orador da turma. Quando universitário, foi
presidente do centro acadêmico de sua faculdade e vice-presidente da União Estadual dos Estudantes de São Paulo. Também desenvolveu atividades jornalísticas.
Parlamentar muito ativo, defensor das bandeiras nacionalistas desde a luta pela criação da Petrobras, Rubens Paiva foi cassado pelo primeiro Ato Institucional como represália a sua
corajosa participação na CPI do IBAD – Instituto Brasileiro de Ação Democrática, que apurou o recebimento de dólares provenientes dos Estados Unidos por segmentos de direita,
inclusive militares, que estariam envolvidos na geração do ambiente político favorável ao Golpe de Estado que terminou se consumando em abril de 1964.
Não sendo militante de qualquer organização clandestina de oposição ao regime ditatorial, voltou a se instalar em seu país, mantendo atividade empresarial regular e próspera. Há
registros de que, em 1970, teria reunido documentação empresarial a respeito de corrupção em contratos para a construção da ponte Rio-Niterói, uma das obras que foram conduzidas
como alta prioridade pelo regime militar, no período repressivo mais agudo.
No dia 20/01/1971, feriado de São Sebastião do Rio de Janeiro, depois de voltar da praia com duas filhas e receber telefonema de uma pessoa que dizia querer entregar-lhe
correspondência do Chile, sua residência, no Leblon, foi invadida, vasculhada e ocupada por agentes dos órgãos de segurança. Rubens tratou de acalmar a todos e foi levado preso,
tendo dirigido seu próprio carro até o Quartel da 3ª Zona Aérea, junto ao aeroporto Santos Dumont. Foi essa a última vez que a família o viu. No dia seguinte, sua mulher e Eliane, a
filha de 15 anos, foram presas e levadas para o DOI-CODI/RJ, onde permaneceram sem poder se comunicar com Rubens, apesar de os agentes policiais confirmarem que ele se
encontrava lá. Interrogadas várias vezes, Eliana foi libertada 24 horas depois e Eunice apenas no dia 2 de fevereiro. Ao ser solta, Eunice viu o carro de Rubens no pátio interno do
quartel, que posteriormente lhe foi entregue sob recibo.
Relata Elio Gaspari em A Ditadura Escancarada:
Levaram-no para uma sala e acarearam-no com duas senhoras (Cecília Viveiros de Castro e Marilena Corona). Os três foram obrigados a
ficar de pé, com os braços levantados. Era um fio que começara a ser puxado pelos serviços de informação do governo dois dias antes, em
Santiago do Chile. Elas haviam visitado os filhos, tomaram o avião de volta ao Rio e foram presas ao desembarcar. Na bagagem de uma delas
acharam-se pelo menos duas cartas endereçadas a Rubens Paiva. Uma era de Almino Affonso. Outra vinha de Helena Bocayuva, filha do
ex-deputado Luiz Fernando (Baby) Bocayuva Cunha. Militante do MR-8, ela fora fiadora da casa do Rio Comprido onde ficara o embaixador
americano Charles Elbrick. Mesmo tendo sido identificada e fotografada durante o seqüestro, escapulira para o exílio. Rubens Paiva, amigo
e sócio de seu pai, escondera-a no Rio.
Uma das senhoras sentiu se mal, Rubens Paiva amparou-a, foi golpeado por um oficial e respondeu com um palavrão. Surrado, ficou estendido
no chão. Horas depois anunciaram que iam levá-lo para o Aparelhão. Era o DOI da Barão de Mesquita. No caminho ele reclamava de que
não conseguia respirar, mas chegou consciente ao quartel da Polícia do Exército.(...)
Passava pouco de uma hora da madrugada do dia seguinte, quando Amílcar Lobo, aspirante-a-oficial e médico do DOI, foi acordado em casa
e levado para o quartel. Subiu à carceragem do segundo andar e lá, numa das celas do fundo do corredor, encontrou um homem nu, deitado,
com os olhos fechados. Tinha todo o corpo marcado de pancadas e o abdômen enrijecido, clássico sintoma de hemorragia interna. ‘Rubens
Paiva’, murmurou duas vezes o preso, abrindo os olhos”.
Para justificar o desaparecimento de Rubens, o Exército divulgou nota à imprensa informando que ele teria sido resgatado por terroristas quando era transportado pelos agentes do
DOI-CODI, em 22/01/1971. Tentando dar credibilidade à fuga, as autoridades do Estado fizeram registros do suposto seqüestro na Delegacia Policial da Barra da Tijuca. Abriram
sindicância para investigar e deliberadamente suspenderam a férrea censura que impunham a esse tipo de noticiário, convocando a imprensa para cobrir a investigação.
Mas a história montada era completamente inverossímil. Pela primeira vez, o regime militar começou a ser pressionado publicamente a responder pelos assassinatos sob tortura.
Eunice Paiva recorreu ao STM, tendo negado o seu recurso. O caso foi também levado ao CDDPH – Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, mas o seu presidente,
ministro da Justiça Alfredo Buzaid, desempatou a votação para indeferir o pedido de investigação.
A morte de Rubens Paiva também é referida no relatório feito por Inês Etienne Romeu, sobrevivente da “Casa da Morte”, em Petrópolis. Ela relata que um de seus carcereiros,
conhecido como “Dr. Pepe” contou-lhe que haviam cometido um erro ao matar Rubens Paiva. Trechos da reportagem de Márcio Bueno, publicada em Retratos do Brasil, 23 a 29 de
março de 1987, com o título “O caso Rubens Paiva, um homicídio executado e até hoje acobertado pelos setores militares” recolhida do site www.desaparecidospoliticos.org.br,
resgata os fatos com todos os seus detalhes.
Em 1985, foi solicitada a reabertura do inquérito pelo procurador geral da Justiça Militar, Francisco Leite Chaves. Presidido pelo delegado Carlos Alberto Cardoso, o inquérito conduziu
as investigações até concluir que Rubens Paiva fora morto nas dependências do Pelotão de Investigações Criminais/RJ. Quando chegou a este ponto, o encarregado julgou-se
incompetente para prosseguir e remeteu o inquérito para a Justiça Militar.
O comandante militar da Região Leste, general Brum Negreiros, indicou o general Adriano Áureo Pinheiro para presidir o IPM. O general Adriano não pediu a indicação de um
procurador para acompanhar as investigações, como é praxe nesses casos, cabendo a iniciativa ao próprio Leite Chaves, que indicou o procurador Paulo César de Siqueira Castro.
Paulo César enfrentou inúmeras dificuldades para se desincumbir de sua missão, mas persistiu no esforço. O presidente do inquérito impediu que ele acompanhasse as investigações,
recusou-se a ouvir as testemunhas indicadas e, por fim, ignorou o prazo de 40 dias que teria para concluir o IPM.
Diante de tantas barreiras, Paulo César começou a fazer investigações paralelas, justificando sua atitude com a falta de confiança quanto ao interesse do encarregado do IPM em
realmente apurar os fatos. Chegou a cinco nomes indicados por Leite Chaves como responsáveis pelas torturas, morte e ocultação do cadáver de Rubens Paiva: coronel Ronald José
da Motta Batista Leão, capitão de Cavalaria João Câmara Gomes Carneiro, apelidado na Academia Militar de João Coco, o sub-tenente Ariedisse Barbosa Torres, o major PM/RJ,
Riscala Corbage e o segundo-sargento Eduardo Ribeiro Nunes. Em março de 1987, o delegado Carlos Alberto foi assassinado em um duvidoso assalto.
Em todos esses anos, surgiram muitas hipóteses a respeito de onde estaria o corpo de Rubens Paiva. Buscas e escavações foram feitas, sem qualquer resultado. O caso do parlamentar
cassado e desaparecido foi evocado por Ulisses Guimarães no emocionado discurso em que promulgou, em 05/10/1988, na qualidade de presidente da Assembléia Nacional
Constituinte, a nova Carta Magna que marcou o reencontro do Brasil com o Estado Democrático de Direito.
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+ Informações.
RUBENS BEIRODT PAIVA
Nasceu em 26 de dezembro de 1929, em Santos, Estado de São Paulo, filho de Jaime
de Almeida Paiva e Aracy Beirodt Paiva. Casou-se em 1952 com Maria Eunice Facciola
Paiva. Diplomou-se Engenheiro Civil em 1954 na Escola de Engenharia da Universidade
Mackenzie, sendo orador de sua turma. Tinha o registro CREA n° 10.200-A – 6ª Região.
Participou de todos os grandes momentos da vida nacional. Quando universitário, foi
Vice-Presidente da União Estadual de Estudantes e depois Engenheiro e Deputado Federal,
sendo eleito Presidente da Comissão de Transportes, Comunicação e Obras da Câmara
Federal. Foi vice-líder do PTB na Câmara. Foi vice-Presidente da CPI do IBAD (Instituto
Brasileiro de Ação Democrática), além de suas atividades jornalísticas.
Ativo deputado federal, defensor das bandeiras nacionalistas desde a luta pela criação da
Petrobrás, Rubens Paiva foi cassado pelo Ato Institucional n° 1 em 1964, em decorrência de sua
participação na Comissão Parlamentar de Inquérito do IBAD, que apurou o recebimento, pelos
generais comprometidos com o golpe militar, de dólares provenientes dos Estados Unidos, em
1963.
No dia 20 de janeiro de 1971, depois de receber um telefonema de uma pessoa que
queria lhe entregar correspondência do Chile, sua casa em Ipanema foi invadida,
vasculhada e ele levado, em seu próprio carro, para o Quartel da 3ª Zona Aérea e depois
para o DOI-CODI/RJ.
Sua casa ficou ocupada e, no dia seguinte, Eunice Paiva, sua mulher, e Eliane, sua
filha de apenas 15 anos, foram também levadas ao DOI-CODI/RJ, onde ficaram sem
conseguir avistar-se com ele, apesar da confirmação dos agentes do DOI de que ele se
encontrava lá. Interrogadas várias vezes, sua filha foi libertada 24 horas depois e sua esposa
somente 12 dias após. A acusação que pesava sobre Rubens Paiva era a de manter
correspondência com brasileiros exilados no Chile.
O Exército, para justificar o desaparecimento de Rubens, divulgou nota à imprensa
informando que ele teria sido resgatado por seus companheiros “terroristas” ao ser
transportado pelos agentes do DOI/CODI, em 28 de janeiro de 1971.
Tal versão foi criada, evidentemente, para encobrir o assassinato sob torturas, já que
havia testemunha da prisão de Rubens, não só sua mulher e a filha Eliana, mas de outra
presa política,Cecília Viveiros de Castro, acareada com Rubens no quartel da 3ª Zona
Aérea.
Em seu Relatório, Inês Etienne Romeu diz que um dos carrascos da “Casa da Morte”,
em Petrópolis, onde esteve, conhecido como Dr. Pepe, contou-lhe que Rubens morreu lá.
Em 1986, em várias matérias da grande imprensa e, em 08 de abril de 1987, a revista
Isto É”, na matéria “Longe do Ponto Final”, há declarações do ex-médico torturador
Amílcar Lobo que afirmava ter visto e atendido Rubens Paiva no DOI-CODI/RJ, quando lá
esteve preso, em janeiro de 1971. Declara que Rubens “era uma equimose só” e que no dia
seguinte – não sabe precisar o dia – soube que havia morrido.
O Relatório do Ministério da Aeronáutica diz que foi “preso em jan/71. Dias depois, segundo a
imprensa, evadiu-se de um carro, quando estava sendo transportado, por agentes do DOI, para outro
local, tendo sido instaurado um IPM para apurar o fato, tendo suas conclusões sido amplamente
divulgadas pela imprensa. Neste órgão, não há dados que confirmem a versão de que estaria morto.”
Já o do Ministério do Exército afirma que “consta que o nominado, quando conduzido para que
indicasse a casa onde poderia estar um elemento que trazia correspondência de banidos que viviam
no Chile, foi resgatado nas imediações do Alto da Boa Vista pelos ocupantes de dois carros que
interceptaram a viatura em que viajava, após travarem tiroteio com a equipe que o escoltava... Em
out/87, o Procurador Geral da Justiça Militar determinou o arquivamento do processo, por extinção
da punibilidade do réu, com base na Lei da Anistia.... Após o episódio da interceptação e fuga, não
existe registro sobre o seu paradeiro.” A versão do Relatório do Ministério da Marinha é: “Dez/70,
preso por atividades subversivas da organização terrorista VPR. Quando foi mostrar a casa onde
moravam terroristas, fugiu, tendo o carro em que se encontrava sido atacado por subversivos. Houve
troca de tiros, tendo um terrorista sido ferido e apanhado pelos companheiros sem ser identificado.”
Trechos da reportagem de Márcio Bueno, publicada em Retrato do Brasil, 23 a 29
de março de 1987, com o título “O caso Rubens Paiva, um homicídio executado e até
hoje acobertado pelos setores militares”:
“O caso Rubens Paiva caminhava finalmente para um desfecho. Quase
ninguém mais acreditava que um dia se pudesse chegar aos responsáveis pelo seu
assassinato e que se pudesse localizar os seus restos mortais.
A elucidação do caso está acontecendo devido a desavenças entre homens que
integraram os sinistros órgãos de repressão, dando sangue novo a uma máxima já
desmoralizada - a que diz não haver crime perfeito. A reabertura do inquérito foi pedida
no ano passado pelo então procurador geral da Justiça Militar, Francisco Leite Chaves
(que assumiu a sua cadeira de senador, na última quarta-feira, dia 18), exatamente
porque a versão oficial falava no seqüestro do deputado por um grupo de terroristas.
Este crime escapa à Lei da Anistia e só prescreve depois de 20 anos, o que ocorreria em
1991. Leite Chaves determinou à Polícia Federal que reabrisse o inquérito. O
superintendente do órgão, Romeu Tuma, escolheu para presidi-lo o delegado Carlos
Alberto Cardoso, garantindo ao procurador-geral, que ele não recuaria diante das
dificuldades que porventura surgissem. De fato, o delegado indicado conduziu as
investigações até concluir que Rubens Paiva fora morto nas dependências do PIC
(Pelotão de Investigações Criminais) do Rio. Quando chegou a este ponto julgou-se
incompetente para prosseguir e remeteu o inquérito para a auditoria do Exército do
Comando Militar Leste.
Longe demais. Tudo indica, no entanto, que o delegado Carlos Alberto
Cardoso já tinha ido longe demais para os padrões de tolerância dos envolvidos no
caso...
Ao chegar à Auditoria do Exército, o comandante militar da Região Leste, general
Brum Negreiros, indicou o general Adriano Áureo Pinheiro para presidir o IPM
(Inquérito Policial Militar). E aconteceu o que era de se prever, pelo menos se for
considerado o antecendente das investigações sobre o atentado ao Riocentro. O general
Adriano não pediu a indicação de um procurador para acompanhar as investigações, o
que é praxe nestes casos, cabendo a iniciativa ao próprio Leite Chaves, que indicou o
procurador Paulo César de Siqueira Castro. Paulo César encontrou todas as
dificuldades para se desincumbir de sua missão, mas não desanimou. O presidente do
inquérito simplesmente impediu que ele acompanhasse as investigações, recusou-se a
ouvir as testemunhas que ele indicou e por fim ignorou o prazo de 40 dias, que teria para
concluir o IPM. Não concluiu, não deu satisfações e sequer pediu prorrogação do prazo,
demonstrando um desprezo profundo pela Justiça. Diante do que encontrou, Paulo César
arregaçou as mangas e começou a fazer investigações paralelas, justificando com a falta
de confiança no trabalho do IPM. O procurador chegou aos 5 nomes indicados por Leite
Chaves como os responsáveis pelas torturas, morte e ocultação do cadáver de Rubens
Paiva.
Os acusados. São o coronel Ronald José da Motta Batista Leão, que foi chefe
da II Sessão do I Exército, hoje Comando Militar Leste, e comandante do PIC, o
Capitão de Cavalaria João Câmara Gomes Carneiro, apelidado na Academia
Militar de João Coco, o sub-tenente Ariedisse Barbosa Torres, o major PM-RJ,
Riscala Corbage e o segundo-sargento Eduardo Ribeiro Nunes...
Cisão Militar. Um dos principais colaboradores da Justiça neste caso foi o
psiquiatra Amílcar Lobo, que atuou na repressão política como médico que avaliava as
condições clínicas dos torturados, para novas sessões de torturas. Depois que foi
reconhecido por um grupo de presos politicos, há cerca de 5 anos, o ‘doutor Carneiro’,
apelido irônico que recebeu de seus colegas nos porões da repressão, admitiu a
participação, mas ressalvando que atuava como médico que aliviava as dores e
procurava salvar os torturados... Depois de várias ameaças e de se safar de pelo menos
um atentado, Amílcar Lobo concluiu que sua melhor defesa era denunciar seus antigos
colegas de profissão
História de horror. Esta história de horror começou no dia 20 de janeiro de 1971,
um feriado carioca, por ser dia de São Sebastião. Rubens Paiva preparava-se para ir à
praia quando foi preso por um grupo de 6 homens. ‘Apenas uma formalidade’ disse o
chefe do grupo. O ex-deputado, eleito pelo PTB em 1962 e cassado pelo golpe de 1964,
pediu licença para trocar de roupa e para apanhar alguns charutos. Depois seguiu com o
grupo em seu próprio carro, para nunca mais voltar. O I Exército acobertou os
torturadores, emitindo uma nota oficial em que diz que Rubens Paiva fugira ‘quando era
conduzido para ser inquirido sobre fatos que denunciam atividades subversivas’. Quando
Leite Chaves determinou a reabertura do inquérito, a Assessoria de Comunicação Social
do Exército referendou a farsa montada pelo I Exército. Através de nota oficial, repetiu a
versão da fuga, depois da troca de tiros entre militares e subversivos.”
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+ Informações.

Rubens Paiva

'''Rubens Beirodt Paiva''' (Santos, São Paulo , 29 de dezembro de 1929) foi um engenheiro e político brasileiro. Filho de Almeida Paiva e de Araci Beiro de Paiva.
Formou-se em Engenharia pela Universidade Mackenzie, em São Paulo, em 1954. Foi também advogado e industrial.

Iniciou sua vida política em outubro de 1962, quando foi eleito deputado federal por São Paulo, na legenda do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Assumiu o mandato em fevereiro do ano seguinte e participou da comissão parlamentar de inquérito criada na Câmara dos Deputados para examinar as atividades do IPES-IBAD (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais – Instituto Brasileiro de Ação Democrática).

A instituição financiava palestrantes e escritores que escreviam artigos avisando sobre a chamada "ameaça vermelha" no Brasil. Nas investigações da CPI, Rubens Paiva começou a descobrir os cheques que eram depositados nas contas de alguns militares.

Com o golpe militar, teve seu mandato cassado no dia 10 de abril de (1964), editado no dia anterior pela junta militar que assumiu o poder a partir da deposição de João Goulart .

Rubens Paiva se exilou na Iugoslávia e depois na França (Paris). Passados seis meses, iria para Buenos Aires, se encontrar com João Goulart|Jango e com Brizola, quando em uma escala do vôo no Rio de Janeiro disse à aeromoça que ia comprar cigarro, saiu do avião e pegou outro vôo para São Paulo , seguindo para a casa de sua família. Teria aparecido de surpresa, dizendo: "Entrei no brasil, estou no Brasil, vou ficar no Brasil". Se mudaram então para o Rio de Janeiro e Rubens Paiva voltou a exercer a engenharia e cuidar de seus negócios, mas sempre fazendo contatos com os exilados.

Apesar de sua família acreditar que Rubens Paiva não tinha participação efetiva em nenhuma organização de esquerda, ele era um "quadro legal" da luta armada e participava ativamente do combate à ditadura. Seu contato com a guerrilha, na época liderada por Carlos Lamarca, era feito através de Carlos Alberto Muniz, codinome "Adriano", que mantinha reuniões frequentes com Rubens. Após a prisão das pessoas que traziam a carta de Helena Bocayuva para Rubens, outras cartas trazidas pelas mesmas pessoas fizeram com que os agentes da repressão identificassem Rubens Paiva como o contato de "Adriano", que por sua vez era o contato de Lamarca, à época o homem mais procurado do país. Na esperança de prender "Adriano" e consequentemente chegar á Lamarca, sua casa no Rio de Janeiro, em 20 de janeiro de 1971, foi invadida por pessoas armadas de metralhadoras que, sem apresentar qualquer mandato de prisão, se diziam da Aeronáutica . Teve tempo de se arrumar e saiu de terno e gravata, guiando o próprio carro, cuja recuperação posterior seria a prova de que fora preso, já que os órgãos de repressão se negavam a afirmar oficialmente tal ação.

Desde então Rubens Paiva foi dado como desaparecido. Segundo nota oficial dos órgãos de segurança, o carro que o conduziu dois dias depois da prisão ao Centro de Operações de Defesa Interna (CODI) teria sido abalroado e atacado por indivíduos desconhecidos que o teriam seqüestrado.

Essa versão, contudo, foi negada por sua mulher, Maria Lucrécia Eunice Facciolo Paiva. Ela permaneceu durante 15 dias incomunicável, após haver sido detida com sua filha Eliana no dia 21 de janeiro.

Eunice foi interrogada na mesma sala em que as pessoas eram torturadas, tendo visto o pau-de-arara, sangue e o retrato do marido nas fichas de reconhecimento, além de ouvir os gritos dos torturados no DOI-Codi.

Em carta, ainda em 1971, ao Conselho de Defesa dos Direitos Humanos, com base em relato de testemunhas, Eunice Paiva afirmava que seu marido começara a ser torturado no mesmo dia de sua prisão, durante o interrogatório realizado na III Zona Aérea, localizada junto ao aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, à época sob o comando do brigadeiro João Paulo Penido Burnier , também acusado de matar Stuart Angel Jones, que teria sido obrigado a "fumar" um escapamento de jipe até morrer.

Entre esse dia e o seguinte, Rubens Paiva foi transferido para o Destacamento de Operações Internas (DOI), situado no Quartel da Polícia do Exército, onde teria sido novamente torturado. A única testemunha que viu Rubens Paiva no DOI-CODI, Cecilia Viveiros de Castro, assim que saiu da prisão, deu um depoimento confirmando a prisão, tortura e morte de Rubens Paiva, sendo tal depoimento publicado na Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Após a publicação, a Comissão foi extinta.

Anos depois, Amilcar Lobo, que na época era médico do DOI-Codi, afirma que o ex-deputado teria sido morto e esquartejado após sessões de tortura. Cecília Viveiros de Castro, que foi a única pessoa que na época havia prestado depoimento público confirmando a prisão e morte de Rubens Paiva, mais tarde foi acusada de omissão pelo filho de Rubens, Marcelo Rubens Paiva, onde relatou fatos em seu livro Feliz Ano Velho.

Rubens Paiva é reconhecido legalmente como morto, mas mesmo com a realização de escavações em locais em que possivelmente teria sido enterrado, seu corpo até hoje não foi encontrado.


Apesar de sua família acreditar que Rubens Paiva não tinha participação efetiva em nenhuma organização de esquerda, ele era um "quadro legal" da luta armada e participava ativamente do combate à ditadura. Nas investigações da CPI, Rubens Paiva começou a descobrir os cheques que eram depositados nas contas de alguns militares.

Entre esse dia e o seguinte, Rubens Paiva foi transferido para o Destacamento de Operações Internas (DOI), situado no Quartel da Polícia do Exército, onde teria sido novamente torturado. Se mudaram então para o Rio de Janeiro e Rubens Paiva voltou a exercer a engenharia e cuidar de seus negócios, mas sempre fazendo contatos com os exilados. Teve tempo de se arrumar e saiu de terno e gravata, guiando o próprio carro, cuja recuperação posterior seria a prova de que fora preso, já que os órgãos de repressão se negavam a afirmar oficialmente tal ação. Após a prisão das pessoas que traziam a carta de Helena Bocayuva para Rubens, outras cartas trazidas pelas mesmas pessoas fizeram com que os agentes da repressão identificassem Rubens Paiva como o contato de "Adriano", que por sua vez era o contato de Lamarca, à época o homem mais procurado do país. A única testemunha que viu Rubens Paiva no DOI-CODI, Cecilia Viveiros de Castro, assim que saiu da prisão, deu um depoimento confirmando a prisão, tortura e morte de Rubens Paiva, sendo tal depoimento publicado na Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.

Desde então Rubens Paiva foi dado como desaparecido.

Com o golpe militar, teve seu mandato cassado no dia 10 de abril de (1964), editado no dia anterior pela junta militar que assumiu o poder a partir da deposição de João Goulart .

Rubens Paiva se exilou na Iugoslávia e depois na França (Paris).

Rubens Paiva é reconhecido legalmente como morto, mas mesmo com a realização de escavações em locais em que possivelmente teria sido enterrado, seu corpo até hoje não foi encontrado.

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