APESAR DE VCs

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Retomaremos este Blog para postar as Histórias da Ditadura, como um BLOG janela ligado ao Blog JUNTOS SOMOS FORTES

NOSSOS HEROIS -

NOSSOS HEROIS -
Amigos(as) Criei uma pagina no FACEBOOK intitulada : NOSSOS HERÓIS. Meu objetivo é resgatar a história dos mineiros (as) que lutaram contra a ditadura militar. Fui Presidente do Comitê Brasileiro Pela Anistia/MG e estou postando todas anotações que fiz durante esse periodo. São documentos históricos e inéditos. Caso tenha interesse dê uma olhadinha Abraços BETINHO DUARTE

Friday, March 11, 2011

Virgilio Gomes da Silva

VIRGÍLIO GOMES DA SILVA (1933-1969)

Filiação: Izabel Gomes da Silva e Sebastião Gomes da Silva

Data e local de nascimento: 15/08/1933, Santa Cruz (RN)

Organização política ou atividade: ALN

Data e local da morte: 29/09/1969 em São Paulo

Nascido no Rio Grande do Norte e dirigente da ALN em São Paulo, seu nome integrou a lista de 136 desaparecidos do Anexo à Lei nº 9.140/95. Ainda criança, deslocou-se com sua

família para o Pará, onde o pai trabalhou na extração de borracha, em Fordlândia. Aos 11 anos, retornou à terra natal em 1945, com sua mãe e irmãos, decidindo mudar-se sozinho para

São Paulo em 1951, na busca de sobrevivência e apoio à família. Nos primeiros tempos na capital paulista, chegou a dormir em bancos de jardim no Largo da Concórdia.

Operário da Nitroquímica, importante indústria do Grupo Votorantim em São Miguel Paulista, zona leste da cidade, filiou-se ao PCB em 1957, tornou-se membro da diretoria do

Sindicato dos Químicos e Farmacêuticos de São Paulo, e liderou uma forte mobilização grevista naquela empresa em 1963. Foi preso em 1964, permanecendo detido por quatro meses.

Perseguido pela sua militância, não conseguia ser readmitido nas fábricas. Próximo a Carlos Marighella, acompanhou esse dirigente comunista no rompimento com o PCB em 1967,

sendo enviado a Cuba para treinamento de guerrilha, segundo várias anotações constantes de sua biografia. Com o nome de guerra Jonas, dirigiu o Grupo Tático Armado da ALN e

era acusado pelos órgãos de segurança de participação em ações armadas que resultaram em mortes.

Foi preso no dia 29/09/1969, na Avenida Duque de Caxias, em São Paulo, por agentes da OBAN, poucas semanas após ter comandado, no Rio de Janeiro, o seqüestro do embaixador

norte-americano no Brasil, operação guerrilheira que representou forte derrota para o regime militar, levando-o a desencadear violenta escalada repressiva em resposta. No dia anterior,

fora preso seu irmão, Francisco Gomes da Silva.

No mesmo dia 29, a polícia também deteve, num sítio em São Sebastião, litoral paulista, sua mulher Ilda e três de seus quatro filhos: Wladimir, com 8 anos, Virgílio, com 7, e Maria

Isabel, um bebê de quatro meses. Gregório, que tinha dois anos, não foi levado por não estar na casa. Ilda permaneceu presa por nove meses, sendo que incomunicável, sem qualquer

notícia dos filhos durante a metade desse tempo.

Depois da OBAN, foi levada para o DOPS e, por último, esteve no Presídio Tiradentes. As crianças foram enviadas por dois meses ao Juizado de Menores, onde a menina sofreu grave

desidratação.

Virgílio chegou à OBAN encapuzado, por volta de 10:30, e morreu 12 horas depois. Francisco, o irmão, foi informado da morte pelo capitão Albernaz. O preso político Celso Antunes

Horta viu o corpo na cela. Outros presos políticos foram informados da morte de Virgílio. Mas a informação oficial dos órgãos de segurança a partir desse dia foi sempre no sentido de

que Virgílio estava foragido.

A denúncia de seu assassinato foi feita em depoimentos na Justiça Militar e em documentos elaborados pelos presos políticos. Segundo eles, Virgílio morreu nas mãos de torturadores

liderados pelo major Inocêncio F. de Matos Beltrão e pelo Major Valdir Coelho, chefes da OBAN. Participaram também os capitães Benone Arruda Albernaz, Dalmo Lúcio Muniz

Cirillo, Maurício Lopes Lima, Homero César Machado - capitão conhecido como "Tomás", da PM-SP - delegado Octávio Gonçalves Moreira Jr., sargento da PM Paulo Bordini, agentes

policiais Maurício de Freitas, vulgo "Lungaretti", Paulo Rosa, vulgo "Paulo Bexiga" e um agente da Polícia Federal conhecido como "Américo".

Na busca de esclarecimento, os familiares foram reunindo, ano a ano, cada uma das informações que terminaram comprovando as verdadeiras circunstâncias de sua morte. Nos

arquivos do DOPS/PR, seu nome constava de uma gaveta de "falecidos". No encaminhamento nº 261 do SNI, de 31/10/1969, lê-se: "Virgílio Gomes da Silva - 'Jonas', falecido por

resistir à prisão". Em sua ficha nos arquivos do DOPS/SP está escrito, à máquina, ao lado do seu nome, entre parênteses: "morto". Um relatório da Marinha, de 1993, solicitado pelo

ministro Maurício Corrêa, reconhece a morte, mas com falsa versão: "morreu em 29 de setembro de 1969, ao reagir à bala quando de sua prisão em um aparelho".

Novas informações surgiram com a abertura da Vala de Perus, em 1990 e o acesso aos arquivos do IML/SP. A Comissão de Familiares tentou resgatar, no Cemitério de Vila Formosa, o

corpo enterrado através da requisição de exame identificada com o nº 4059/69. Tratava-se do corpo de um desconhecido enterrado como indigente na data do desaparecimento de

Virgílio, com suposta procedência da 36ª DP - sede da OBAN. As buscas foram infrutíferas, por não existir um mapa das quadras na época por ter sido plantado um bosque no local.

Somente em 2004 a verdade sobre o destino de Virgílio foi confirmada por documentos oficiais. O jornalista Mário Magalhães, ao pesquisar o arquivo do DOPS, localizou o laudo e a

foto do corpo de Virgílio. Enterrado como desconhecido sob o nº 4059/69, anteriormente pesquisado, o corpo fora identificado.

O laudo assinado por Roberto A. Magalhães e Paulo A. de Queiroz Rocha descreve escoriações em todo o rosto, braços, joelhos, punho direito e ainda equimoses no tórax e

abdômen, hematomas intensos na mão direita e na polpa escrotal. Internamente registraram hematoma intenso e extenso na calota craniana, fratura completa com afundamento do osso

frontal, hematomas em toda a superfície do encéfalo, hematoma intenso no tecido subcutâneo e muscular da sétima à décima-primeira costelas esquerdas, fratura completa da oitava,

nona e décima costelas direitas. A morte, que concluem ter sido em conseqüência de traumatismo crânio-encefálico, causado por instrumento contundente, não teria sido causada

por tortura, como fizeram questão de registrar os legistas, interessados em homologar a versão oficial dos órgãos de segurança.

A identificação foi feita através das digitais. O texto é assinado pelo delegado Emílio Mattar e pelo agente Gilberto da Cruz, da Divisão de Identificação Civil e Criminal da Secretaria de

Segurança Pública, sendo que o delegado Mattar era o diretor do órgão que identificou o cadáver desconhecido como sendo o de Virgílio. Junto aos documentos, um bilhete escrito à

mão arbitra o desaparecimento: Não deve ser informado.

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+ Informações.

VIRGÍLIO GOMES DA SILVA

Dirigente da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN).

Nasceu a 15 de agosto de 1933 em Sítio Novo - Santa Cruz, no Rio Grande do Norte,

filho de Sebastião Gomes da Silva e Izabel Gomes da Silva.

Desaparecido desde 1969.

Casado, tinha 3 filhos.

Foi operário da indústria química e dirigente do Sindicato dos Químicos e Farmacêuticos de

São Paulo. Preso durante 4 meses em 1964. Perseguido pela sua militância, não conseguia emprego

nas fábricas e sobreviveu mantendo um pequeno bar em São Miguel Paulista.

Foi preso no dia 29 de setembro de 1969, na Av. Duque de Caxias, em São Paulo, por

agentes da Operação Bandeirantes - OBAN (DOI-CODI/SP).

Morto sob torturas na sede da OBAN, nas mãos dos assassinos torturadores liderados

pelo major Inocêncio F. de Matos Beltrão e pelo Major Valdir Coelho, chefes daquele

centro de torturas, além dos capitães Benone Arruda Albernaz, Dalmo Lúcio Muniz Cirillo,

Maurício Lopes Lima, Homero Cesar Machado, capitão conhecido como "Tomás", da PMSP,

delegado Otávio Gonçalves Moreira Jr., sargento da PM Paulo Bordini, agentes

policiais Maurício de Freitas, vulgo "Lungaretti", Paulo Rosa, vulgo "Paulo Bexiga" e

agente do Departamento da Polícia Federal conhecido como "Américo".

Militantes presos na mesma época afirmam que a polícia torturou sua mulher e o

filho mais novo, ainda bebê, para obrigá-lo a colaborar.

Em sua ficha encontrada nos arquivos do DOPS/SP ao lado do seu nome, entre

parêntesis está escrito à máquina "morto".

No encaminhamento n° 261 do Serviço Nacional de Informações de 31 de outubro de

1969, encontrado no DOPS/PR, lê-se "Virgílio Gomes da Silva - 'Jonas', falecido por

resistir à prisão; que também usava a falsa identidade em nome de Joel Ferreira Lima."

Ainda no DOPS/PR, consta o nome de Virgílio numa gaveta com a identificação:

"falecidos".

No DOPS/RJ, consta o nome de Virgílio no documento do CIE-S/103 - Terroristas

da ALN com Cursos em Cuba (situação em 21 de junho de 1972), como estando morto.

O Relatório da Marinha afirma que "morreu em 29 de setembro de 1969, ao reagir à

bala quando de sua prisão em um aparelho."

Depoimentos dos ex-presos políticos Paulo de Tarso Venceslau, Manoel Cyrillo de

Oliveira Neto, seu irmão Francisco Gomes da Silva e Celso Antunes Horta, feitos em

Auditorias Militares na época, denunciam as torturas sofridas por Virgílio na OBAN.

De Francisco Gomes da Silva, irmão de Virgílio e que também foi preso político:

"Meu irmão Virgílio Gomes da Silva foi preso e morto no DOI-CODI da

Operação Bandeirantes, em 29 de setembro de 1969. Virgílio era militante da ALN e

estava sendo procurado pelos órgãos da repressão aparecendo inclusive em cartazes

com fotografia onde se lia Procura-se. Eu fui preso no dia 28 do mesmo mês de

setembro, tendo passado por várias sessões de tortura, quando no dia 29, Virgílio

chegou no mesmo local, ou seja Operação Bandeirantes, algemado, tendo sido preso

pela equipe do Capitão Albernaz (eu, pela equipe do Raul Careca). Eu estava sendo

interrogado quando ouvi os gritos de Virgílio, que chegou algemado e estava sendo

espancado, quando levou um chute no rosto, que se abriu e comecou a jorrar sangue.

Continuaram os gritos de Virgílio que estava sendo torturado para que

entregasse os companheiros. Ele recusava-se a delatar e reagia xingando os

torturadores. Acredito que Virgílio chegou ao DOI-CODI por volta de 11:00 h da

manhã, tendo sido assassinado por volta das 21:00 h. O corpo foi mostrado ao Celso

Horta, também preso político. Virgílio foi morto pendurado no pau de arara.

Mais ou menos meia hora depois que eu soube da morte de Virgílio, através de

um outro preso, o Capitão Albernaz dirigiu-se a mim, informando que Virgílio havia

fugido. Ouvi comentários na prisão que os torturadores haviam retirado os olhos de

Virgílio, bem como seus testículos.

Mais tarde fui transferido para o DOPS e lá, um delegado cujo nome não me

recordo, falou que Virgílio havia sido enterrado na quadra do DOPS no cemitério de

V. Formosa.

Mais ou menos um ano depois, minha mãe e meu irmão Vicente foram ao

cemitério de V. Formosa e souberam através de um funcionário o local onde Virgílio

estava enterrado, tendo se dirigido ao referido local que, entretanto, estava

fortemente vigiado pela polícia militar, sendo que os policiais determinaram que se

afastassem e não voltassem mais ao local. Os jornais publicaram que Virgílio estava

foragido, quando na verdade já estava morto."

Apesar das buscas efetuadas no Cemitério de Vila Formosa pela Comissão 261/90 da

Prefeitura de São Paulo, seu corpo não foi encontrado.

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+ Informações.

Virgílio Gomes da Silva


Dirigente da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN).

Nasceu a 15 de agosto de 1933 em Sítio Novo - Santa Cruz, no Rio Grande do Norte, filho de Sebastião Gomes da Silva e Izabel Gomes da Silva.

Desaparecido desde 1969.

Casado, tinha 3 filhos.

Foi operário da indústria química e dirigente do Sindicato dos Químicos e Farmacêuticos de São Paulo. Preso durante 4 meses em 1964. Perseguido pela sua militância, não conseguia emprego nas fábricas e sobreviveu mantendo um pequeno bar em São Miguel Paulista.

Foi preso no dia 29 de setembro de 1969, na Av. Duque de Caxias, em São Paulo, por agentes da Operação Bandeirantes - OBAN (DOI-CODI/SP).

Morto sob torturas na sede da OBAN, nas mãos dos assassinos torturadores liderados pelo major Inocêncio F. de Matos Beltrão e pelo Major Valdir Coelho, chefes daquele centro de torturas, além dos capitães Benone Arruda Albernaz, Dalmo Lúcio Muniz Cirillo, Maurício Lopes Lima, Homero Cesar Machado, capitão conhecido como "Tomás", da PM-SP, delegado Otávio Gonçalves Moreira Jr., sargento da PM Paulo Bordini, agentes policiais Maurício de Freitas, vulgo "Lungaretti", Paulo Rosa, vulgo "Paulo Bexiga" e agente do Departamento da Polícia Federal conhecido como "Américo".

Militantes presos na mesma época afirmam que a polícia torturou sua mulher e o filho mais novo, ainda bebê, para obrigá-lo a colaborar.

Em sua ficha encontrada nos arquivos do DOPS/SP ao lado do seu nome, entre parêntesis está escrito à máquina "morto".

No encaminhamento n° 261 do Serviço Nacional de Informações de 31 de outubro de 1969, encontrado no DOPS/PR, lê-se "Virgílio Gomes da Silva - 'Jonas', falecido por resistir à prisão; que também usava a falsa identidade em nome de Joel Ferreira Lima."

Ainda no DOPS/PR, consta o nome de Virgílio numa gaveta com a identificação: "falecidos".

No DOPS/RJ, consta o nome de Virgílio no documento do CIE-S/103 - Terroristas da ALN com Cursos em Cuba (situação em 21 de junho de 1972), como estando morto.

O Relatório da Marinha afirma que "morreu em 29 de setembro de 1969, ao reagir à bala quando de sua prisão em um aparelho."

Depoimentos dos ex-presos políticos Paulo de Tarso Venceslau, Manoel Cyrillo de Oliveira Neto, seu irmão Francisco Gomes da Silva e Celso Antunes Horta, feitos em Auditorias Militares na época, denunciam as torturas sofridas por Virgílio na OBAN.

De Francisco Gomes da Silva, irmão de Virgílio e que também foi preso político:

"Meu irmão Virgílio Gomes da Silva foi preso e morto no DOI-CODI da Operação Bandeirantes, em 29 de setembro de 1969. Virgílio era militante da ALN e estava sendo procurado pelos órgãos da repressão aparecendo inclusive em cartazes com fotografia onde se lia Procura-se. Eu fui preso no dia 28 do mesmo mês de setembro, tendo passado por várias sessões de tortura, quando no dia 29, Virgílio chegou no mesmo local, ou seja Operação Bandeirantes, algemado, tendo sido preso pela equipe do Capitão Albernaz (eu, pela equipe do Raul Careca). Eu estava sendo interrogado quando ouvi os gritos de Virgílio, que chegou algemado e estava sendo espancado, quando levou um chute no rosto, que se abriu e comecou a jorrar sangue.

Continuaram os gritos de Virgílio que estava sendo torturado para que entregasse os companheiros. Ele recusava-se a delatar e reagia xingando os torturadores. Acredito que Virgílio chegou ao DOI-CODI por volta de 11:00 h da manhã, tendo sido assassinado por volta das 21:00 h. O corpo foi mostrado ao Celso Horta, também preso político. Virgílio foi morto pendurado no pau de arara.

Mais ou menos meia hora depois que eu soube da morte de Virgílio, através de um outro preso, o Capitão Albernaz dirigiu-se a mim, informando que Virgílio havia fugido. Ouvi comentários na prisão que os torturadores haviam retirado os olhos de Virgílio, bem como seus testículos.

Mais tarde fui transferido para o DOPS e lá, um delegado cujo nome não me recordo, falou que Virgílio havia sido enterrado na quadra do DOPS no cemitério de V. Formosa.

Mais ou menos um ano depois, minha mãe e meu irmão Vicente foram ao cemitério de V. Formosa e souberam através de um funcionário o local onde Virgílio estava enterrado, tendo se dirigido ao referido local que, entretanto, estava fortemente vigiado pela polícia militar, sendo que os policiais determinaram que se afastassem e não voltassem mais ao local. Os jornais publicaram que Virgílio estava foragido, quando na verdade já estava morto."

Apesar das buscas efetuadas no Cemitério de Vila Formosa pela Comissão 261/90 da Prefeitura de São Paulo, seu corpo não foi encontrado.

COMUNICADO POLÍTICO URGENTE

24 DE JUNHO DE 2004

O Grupo Tortura Nunca Mais - SP comunica que foram encontradas no Arquivo do Estado as provas da morte por tortura de Virgilio Gomes da Silva, nas dependências da Operação Bandeirantes (DOI CODI-SP.) em 29de setembro de l969. Até hoje Virgílio está desaparecido e seu corpo não foi encontrado. Sua viúva, Ilda Martins da Silva, e seus quatro filhos exigem que seja indicada a localização de seus restos mortais para que possam finalmente enterrá-lo com a dignidade que merece.

A família de Virgílio exibirá à imprensa, aos amigos e ao país o laudo do Instituto Médico Legal de São Paulo, feito àquela época, que prova a morte por tortura de Virgílio Gomes da Silva, com sua foto depois de morto e suas impressões digitais. Sobre esse laudo, aparece um aviso escrito à mão com a frase "Não deve ser informado", o que prova que houve uma ordem para o desaparecimento do corpo e o não comunicado da morte à família ou à imprensa. Sua viúva, aliás, foi presa no mesmo dia e permaneceu presa na Operação Bandeirantes (Doi-Codi), no Dops paulista e no presídio Tiradentes por dez meses num verdadeiro sequestro, pois não foi processada. Seus filhos, com idade de 8, 7 e 2 anos, além de uma filha de quatro meses, foram levados ao Juizado de Menores.

Contamos com a sua presença para este ato em defesa da memória e da justiça, que será realizado em 24 de junho de 2004, no auditório Wladimir Herzog do Sindicato dos Jornalistas - Rua Rego Freitas, 230 -Sobreloja/SP - Fones para contato: 9615-3293 | 3283-3082

Rose Nogueira

GRUPO TORTURA NUNCA MAIS -SP

Presidente Fonte: Boletim Agência Carta Maior

35 ANOS DEPOIS

Documentos comprovam morte por tortura na ditadura

Encontrados por acaso no Arquivo do Estado, laudos mostram que Virgílio Gomes da Silva, preso político desaparecido em 1969, foi torturado e assassinado nas dependências da Operação Bandeirante, o Doi Codi-SP

Bia Barbosa 24/06/2004

São Paulo - Gilberto da Cruz, Emílio Máttar, Roberto A. Magalhães e Paulo A. de Queiroz Rocha. Onde estão esses homens? Hoje, eles são a única pista que a família de Virgílio Gomes da Silva tem para tentar encontrar seu corpo, desaparecido há 35 anos. Virgílio, operário da indústria química e militante da Aliança de Libertação Nacional (ALN), foi preso pela ditadura militar em setembro de 1969 e nunca mais visto. Nesta quinta-feira (24), o Grupo Tortura Nunca Mais/SP divulgou em São Paulo documentos encontrados no Arquivo do Estado que comprovam o assassinato de Virgílio por tortura nas dependências da Operação Bandeirantes (o DOI CODI-SP), no dia 29 de setembro de 1969. Roberto A Magalhães e Paulo A de Queiroz Rocha são os médicos que assinam o laudo do Instituto Médico Legal, datado de 30 de setembro, que atesta a morte do militante. Gilberto da Cruz e Emílio Máttar trabalhavam na época na Divisão de Identificação Civil e Criminal da Secretaria de Estado dos Negócios da Segurança Pública, sendo que o delegado Máttar era o diretor do órgão, que identificou o cadáver desconhecido como sendo o do preso político.

Os documentos divulgados nesta quinta foram encontrados no meio de 180 mil pastas pelo jornalista e escritor Mário Magalhães, durante pesquisas que realizava para o livro que está escrevendo sobre a vida de Carlos Marighella e da ALN. As informações até hoje secretas sobre o destino de Virgílio Gomes da Silva estavam "perdidas" no meio de dossiês que tratavam da atuação dos freis dominicanos durante a ditadura. Sobre tais papéis, um aviso manuscrito com a frase "Os símbolos 30-Z-160-4820, 4821, 4819 e 4918 não podem ser informados". Na opinião da família, esta é uma prova de que houve uma ordem para o desaparecimento do corpo e o não comunicado da morte de Virgílio aos familiares.

Com o codinome de Jonas, Virgílio foi uma das lideranças na luta contra a ditadura militar no Brasil. Uma de suas ações foi o sequestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick, posteriormente trocado por 15 presos políticos, entre eles o Ministro Chefe da Casa Civil, José Dirceu. Preso pouco tempo depois do sequestro, Virgílio foi o primeiro brasileiro dado como desaparecido no processo da ditadura. Esta foi a versão oficial dada pelo Estado. Em 1995, Ilda Martins da Silva, sua esposa, recebeu o atestado de óbito do marido, por morte presumida por desaparecimento. Mas os papéis que comprovavam a morte do preso político existem há 35 anos - e sempre estiveram sob poder do Estado. A descoberta desses documentos vira de ponta cabeça a história oficial contada pelo país sobre o destino de seus desaparecidos políticos.

"Desde que meu pai morreu existe um laudo e nós só ficamos sabendo disso agora. Para mim, ele morreu esta semana, por isso estamos de luto. Minha avó morreu sem saber o destino do meu pai", disse emocionado Vladimir da Silva, filho mais velho de Virgílio. "Estes documentos me enchem de esperança. Da mesma forma que eles apareceram por acaso, os de outros companheiros podem estar lá. Há uma urgência em se estudar este arquivo. Ao mesmo tempo, já que tudo foi registrado, queremos saber de quem partiu a ordem de ocultar o corpo do meu pai. Queremos rever este atestado de morte presumida. Estamos aqui não para pedir uma indenização, mas o reestabelecimento de uma verdade histórica. Não tenho esperança de que estas pessoas que são citadas nos laudos venham a público fazer este reconhecimento. Nunca vieram. Minha esperança é na Justiça", explica Vladimir.

20/10/2005 - 14h01m

Aprovada anistia para militante da ALN assassinado

Evandro Éboli - O Globo

BRASÍLIA - Numa sessão histórica e marcada pela emoção, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça aprovou nesta quarta-feira a concessão de anistia post-mortem para o ex-guerrilheiro da Ação Libertadora Nacional (ALN) Virgílio Gomes da Silva, morto pela ditadura em setembro de 1969, e também para sua esposa, a viúva Ilda Martins da Silva, que foi presa e torturada. A comissão aprovou também anistia para dois filhos do casal, Vladimir e Isabel Maria Gomes da Silva. Os dois, quando crianças, foram parar na prisão acompanhando a mãe e foram ameaçados por agentes da ditadura de serem entregues para adoção. Foi aprovada ainda o pagamento de indenização, em prestação única, de R$ 100 mil para cada um dos processos, valor máximo desse tipo de reparação.

A sessão foi acompanhada por Ilda e pelos seus quatro filhos, Vladimir, Virgílio, Gregório e Maria Isabel. A família chorou emocionada, várias vezes, durante as duas horas e meia de duração do julgamento dos quatro casos. No combate à ditadura, Virgílio usou a codinome "Jonas" e coordenou o sequestro do embaixador americano Charles Elbrick, trocado por 15 companheiros comunistas que estavam presos, entre eles o ex-ministro da Casa Civil e deputado José Dirceu (PT-SP).

Com a morte de Jonas, em 29 de setembro de 1969, Ilda, depois de passar um tempo na cadeia, sem condições de cuidar dos filhos e perseguida pelos militares, exilou-se em Cuba. Ilda recebia uma ajuda de custo do governo cubano. Os quatro filhos estudaram na ilha e todos se formaram e fizeram curso superior. Três deles casaram-se com cubanas. A família começou a retornar ao Brasil somente a partir dos anos 90, até a caçula Isabel Maria tirar o diploma em geologia.

Jonas foi filiado ao PCB nos anos 50 e virou líder sindical, da categoria dos químicos, em São Paulo. Foi no movimento sindical que conheceu Ilda, funcionária de uma indústria do setor e envolvida na política. Fundou a ALN ao lado de Carlos Marighela. Foi preso várias vezes, torturado e morto em 29 de setembro de 1969. O regime militar divulgou que ele havia fugido da prisão e prevaleceu durante muito tempo a versão de que ele estava foragido. Somente no ano passado, com o aparecimento de um laudo do Instituto Médico Legal (IML), descobriu-se que Jonas morreu numa das vezes que foi preso. Até hoje sua ossada não foi localizada.

Ilda ficou dez meses presa. Foi detida pela Operação Bandeirantes, a Oban. Incomunicável, não viu os filhos nesse período. Os filhos seguiram para uma instituição de menores. Durante os 25 dias que tiveram nesse local, eles dormiam sempre juntos e unidos por um cordão. Caso tentassem retirar algum deles, os outros perceberiam e acordariam. Ilda fez um agradecimento ao governo cubano e comemorou a decisão da comissão.

- Agradeço muito a Cuba que permitiu que continuasse a viver e educasse meus filhos. Espero que os brasileiros nunca esqueçam a luta do Virgílio. Ele deu a vida para muitas das pessoas que hoje estão no poder. Ajudou a tirar muitos deles da cadeia - disse, emocionada, Ilda Martins da Silva.

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+ Informações.

Jonas, o primeiro desaparecido

Virgílio Gomes da Silva
(15/8/1933 - 29/9/1969)

Francisco Gomes da Silva, Chiquinho, foi baleado e preso no dia 28 de setembro de 1969. Passou por várias sessões de tortura na Oban. No dia seguinte, por volta das 11h, seu irmão Virgílio Gomes da Silva, o Jonas, foi levado à Oban, preso pela equipe do capitão Benone Albernaz.

Chegou algemado e encapuzado. Deram-lhe um chute no rosto, fazendo jorrar sangue, em uma demonstração de que estavam dispostos a tudo. Virgílio sobreviveu por 12 horas às torturas, desafiando seus carrascos.

Chiquinho ficou sabendo da morte do irmão meia hora depois, às 21h30, pelo capitão Albernaz. Celso Antunes Horta viu o corpo de Jonas e denunciou posteriormente às Auditorias Militares que ele morrera no pau-de-arara.

Comandavam a Oban naquela época os majores Inocêncio Beltrão e Valdir Coelho. Os capitães Dalmo Cirillo, Maurício Lopes Lima, Homero Cesar Machado (PM) e Benone Albernaz revezavam-se no comando das torturas.

Na morte de Virgílio participaram também o delegado Otávio Moreira Jr., o sargento PM Paulo Bordini, o agente policial Lungaretti (Maurício de Freitas), Paulo Bexiga (Paulo Rosa) e o agente da Polícia Federal Américo.

Apesar dos testemunhos dos presos políticos Francisco Gomes da Silva e Celso Antunes Horta, que juntamente com Paulo de Tarso Wenceslau e Manoel Cyrillo denunciaram às Auditorias Militares o assassinato de Virgílio Gomes da Silva, sua prisão e morte não foram reconhecidas. Jonas transformou-se, assim, no primeiro desaparecido político brasileiro.

Sua mulher, Idalina, e os três filhos foram presos em São Sebastião, no litoral norte do Estado de São Paulo. A repressão utilizou-os para pressionar Virgílio a dar informações, mas nem assim teve sucesso. Sabe-se que seu corpo foi enterrado no Cemitério De Vila Formosa, em São Paulo, mas nunca foi encontrado.

Documentos pesquisados no arquivo do Dops/SP comprovam sua prisão, enquanto os órgãos de segurança continuavam divulgando que ele se encontrava foragido.

Em sua ficha individual no Dops/SP, ao lado do seu nome, batido à máquina, vem entre parênteses, escrito à mão: morto.

No arquivo do Dops/PR, em um documento do serviço Nacional de investigação (SNI) de 31/10/69, lê-se: "Virgílio Gomes da Silva (Jonas), falecido por resistir à prisão; também usava a falsa identidade em nome de Joel Ferreira Lima". No arquivo do Dops/RJ há um documento do CIE intitulado: "Terrorista da ALN com curso em Cuba" que relata no texto: situação em 21 de junho, morto.

Mesmo assim, em 1993, Relatório da Marinha obtido por Requerimento de informação feita pelo deputado Nilmário Miranda ainda afirma: Virgílio Gomes da Silva "morreu em 29 de setembro de 1969, ao reagir à bala quando de sua prisão em um aparelho".

Quando o filme O Que é Isso, Companheiro? Apresentou Jonas como um militante frio e violento, dezenas de pessoas que o conheceram fizeram desagravos, resgatando sua imagem e história verdadeiras.

Virgílio nasceu no Rio Grande do Norte, Sítio Novo - Santa Cruz, e foi assassinado aos 36 anos. O seu caso foi reconhecido pela Anexo da Lei 9.140/95.

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+ Informações.

Depoimentos

"Quero os restos de Virgilio Gomes da Silva"- Ilda Martins da Silva.
A primeira. Virgilio(Jonas), teria morrido num tiroteio ao reagir à prisão. Mentira dos serviços secretos da Marinha e da Aeronáutica.

A segunda. Versão do II Exército- Morto virou "Foragido". Mentira.

A terceira, em 2004, Jonas foi massacrado na versão do filme O que é isso companheiro?, baseado no livro de Fernando de Gabeira. "O filme é uma fraude.

A VERDADE :

Virgílio Gomes da Silva " foi morto na tortura. Pode-se ver no laudo que ele não tinha nenhum osso inteiro. Acreditamos que ele não foi morto com pontapé, como falam, e sim com barras de ferro. Todos os órgãos vitais foram danificados, com a única exceção do coração."

Após quatro décadas de silêncio, foi revelado o relatório sobre a morte do revolucionário Virgílio Gomes da Silva, conhecido como Jonas. Ele era considerado um desaparecido da época da ditadura militar. As informações dos laudos divulgados neste último domingo (30) mostram que, na verdade, Jonas foi morto devido às torturas sofridas por militares e civis da Operação Bandeirante, em São Paulo.

A viúva de Jonas, Ilda Martins da Silva, conta que, a partir do relatório, vai dar entrada em processo pelo Ministério Público Federal (MPF).

"Isso já revela que eles estão assumindo a morte dele, que eles o mataram. Isso para nós é importante para podermos dar entrada na busca das ossadas dele."

Ilda conta com o apoio e solidariedade de companheiros, organizações, a exemplo do Grupo Tortura Nunca Mais. A diretora do grupo, Rose Nogueira, detalha o laudo divulgado:

"Ele foi morto na tortura. Pode-se ver no laudo que ele não tinha nenhum osso inteiro. Acreditamos que ele não foi morto com pontapé, como falam, e sim com barras de ferro. Todos os órgãos vitais foram danificados, com a única exceção do coração."

A viúva de Jonas, Ilda Martins da Silva, afirma que, a partir do relatório, vai dar entrada em processo pelo Ministério Público Federal (MPF).

O paradeiro do corpo nunca foi revelado, e as Forças Armadas jamais admitiram o crime oficialmente. O documento foi produzido pelo Centro de Informações do Exército (CIE), vinculado ao gabinete do então ministro da Força, general Aurélio de Lyra Tavares.

Sua existência comprova que a cúpula da ditadura foi avisada sobre a morte de Jonas nos porões sanguinários dos órgãos oficiais da ditadura. Mesmo assim, a Justiça Militar o condenou "à revelia" duas vezes, em 1970 e 1977, com base na Lei de Segurança Nacional. Somadas, as penas chegariam a 33 anos de prisão.

O relatório foi redigido em 8 de outubro de 1969, com o título de "Informação n. 2.600" e carimbos de "confidencial". Jonas foi capturado e morto nove dias antes, em 29 de setembro. No documento, os militares evitam a palavra tortura. Dizem que o revolucionário reagiu à prisão e morreu em virtude de "ferimentos recebidos" sob custódia da Oban.

O trecho que elucida o crime ocupa apenas quatro linhas do relatório.

Diz o seguinte: "Virgílio Gomes da Silva, vulgo Jonas, vulgo Borges, reagiu violentamente desde o momento de sua prisão, vindo a falecer em consequência dos ferimentos recebidos, antes mesmo de prestar declarações".

Segundo o cabeçalho, o documento circulou na época por dez órgãos militares, incluindo os serviços secretos da Marinha e da Aeronáutica.

Ao fim do dossiê, foram anexadas informações e fotos de 19 militantes da Ação Libertadora Nacional (ALN) presos após o sequestro.

Há cópias de três documentos de Jonas (título eleitoral, carteira de habilitação e uma carteirinha de sócio do Jardim Zoológico de São Paulo) e três retratos 3x4, nos quais ele aparece com e sem bigode.

E uma anotação, à mão: "Jonas - Morto - Participou do Sequestro".

Ele está enterrado no cemitério de Vila Formosa, em São Paulo. "Não sabemos em que sepultura. Quero que o Exército se responsabilize por essa busca, especialmente agora que eles reconheceram a morte dele dentro de suas dependências. Virgilio merece um enterro decente"

Ilda Martins da Silva.

A falsa versão do II Exército- Morto virou "Foragido"

Outro documento secreto mostra que a ditadura fabricou uma versão falsa para encobrir o assassinato quatro dias depois do dossiê em que admitia a morte de Jonas. Trata-se do Relatório Especial de Informações n. 28, assinado pelo general Aloysio Guedes Pereira, comandante da 2ª Divisão de Infantaria do II Exército, de 12 de outubro de 1969. Desta vez, no entanto, Jonas foi apresentado como foragido.

Para dar credibilidade à suposta fuga, o relatório mistura fatos verídicos e inventados. Na parte verdadeira, informa o endereço em que ele foi capturado pela Oban e que participou do sequestro de Elbrick "na qualidade de chefe da ação". Na falsa, que "evadiu-se na ocasião em que foi conduzido para indicar um 'aparelho'".

Enquanto o Exército se manteve em silêncio, outros órgãos apresentaram versões divergentes para o caso desde a redemocratização. Em 1985, o projeto "Brasil: Nunca Mais", coordenado por Dom Paulo Evaristo Arns, divulgou depoimentos de dois presos que viram Jonas ser morto na Oban.

Em 1993, a Marinha enviou ofício ao então ministro da Justiça, Maurício Corrêa, com outra versão fantasiosa: ele teria morrido num tiroteio ao reagir à prisão.

Só em 2004 foi descoberto, no Arquivo do Estado de São Paulo, laudo do IML com a foto do rosto de Jonas, já morto e desfigurado por agressões.

O que é isso companheiro? de Fernando de Gabeira.

O filme é uma fraude.

Virgilio não era louco e agressivo como eles mostraram. Também não fumava, mas nas cenas aparece fumando sem parar. Processei a produtora e ganhei em primeira instância. Perdi na segunda e estou aguardando a terceira", diz a viúva Ilda Martins da Silva.

"Fizeram uma caricatura covarde e infame do Jonas. No filme ele é retratado como um idiota. O Gabeira não teve a decência de vir a público dizendo que o filme distorcia a verdade", afirma o historiador Daniel Aaarão Reis, um dos idealizadores do sequestro.

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"Fizeram uma caricatura covarde e infame do Jonas. No filme ele é retratado como um idiota. O Gabeira não teve a decência de vir a público dizendo que o filme distorcia a verdade", afirma o historiador Daniel Aaarão Reis, um dos idealizadores do sequestro.

Depoimento de Francisco Gomes da Silva

"Meu irmão Virgílio Gomes da Silva foi preso e morto no DOI-CODI da Operação Bandeirantes, em 29 de setembro de 1969. Virgílio era militante da ALN e estava sendo procurado pelos órgãos da repressão aparecendo inclusive em cartazes com fotografia o­nde se lia Procura-se. Eu fui preso no dia 28 do mesmo mês de setembro, tendo passado por várias sessões de tortura, quando no dia 29, Virgílio chegou no mesmo local, ou seja Operação Bandeirantes, algemado, tendo sido preso pela equipe do Capitão Albernaz (eu, pela equipe do Raul Careca). Eu estava sendo interrogado quando ouvi os gritos de Virgílio, que chegou algemado e estava sendo espancado, quando levou um chute no rosto, que se abriu e começou a jorrar sangue.

Continuaram os gritos de Virgílio que estava sendo torturado para que entregasse os companheiros. Ele recusava-se a delatar e reagia xingando os torturadores. Acredito que Virgílio chegou ao DOI-CODI por volta de 11:00 h da manhã, tendo sido assassinado por volta das 21:00 h. O corpo foi mostrado ao Celso Horta, também preso político. Virgílio foi morto pendurado no pau de arara.

Mais ou menos meia hora depois que eu soube da morte de Virgílio, através de um outro preso, o Capitão Albernaz dirigiu-se a mim, informando que Virgílio havia fugido. Ouvi comentários na prisão que os torturadores haviam retirado os olhos de Virgílio, bem como seus testículos.

Mais tarde fui transferido para o DOPS e lá, um delegado cujo nome não me recordo, falou que Virgílio havia sido enterrado na quadra do DOPS no cemitério de V. Formosa.

Mais ou menos um ano depois, minha mãe e meu irmão Vicente foram ao cemitério de V. Formosa e souberam através de um funcionário o local o­nde Virgílio estava enterrado, tendo se dirigido ao referido local que, entretanto, estava fortemente vigiado pela polícia militar, sendo que os policiais determinaram que se afastassem e não voltassem mais ao local. Os jornais publicaram que Virgílio estava foragido, quando na verdade já estava morto."

Apesar das buscas efetuadas no Cemitério de Vila Formosa pela Comissão 261/90 da Prefeitura de São Paulo, seu corpo não foi encontrado.

Vladimir da Silva- "Queremos rever este atestado de morte presumida."

"Desde que meu pai morreu existe um laudo e nós só ficamos sabendo disso agora. Para mim, ele morreu esta semana, por isso estamos de luto. Minha avó morreu sem saber o destino do meu pai"

"Estes documentos me enchem de esperança. Da mesma forma que eles apareceram por acaso, os de outros companheiros podem estar lá. Há uma urgência em se estudar este arquivo. Ao mesmo tempo, já que tudo foi registrado, queremos saber de quem partiu a ordem de ocultar o corpo do meu pai. Queremos rever este atestado de morte presumida. Estamos aqui não para pedir uma indenização, mas o reestabelecimento de uma verdade histórica.

Não tenho esperança de que estas pessoas que são citadas nos laudos venham a público fazer este reconhecimento. Entretanto,nunca vieram. Minha esperança é na Justiça"

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+ Informações

Virgilio Gomes da Silva: de retirante a guerrilheiro

História
Mamoel Cyrillo de Oliveira Netto


Este livro dedica-se a recuperar a trajetória pessoal e política de Virgilio Gomes da Silva, cuja biografia transcende sua morte porque sua história faz parte das lutas históricas do povo brasileiro contra a miséria e a opressão. Virgilio começou vencendo a miséria. Retirante, saiu do sertão do Rio Grande do Norte nos anos 50 para tentar a vida em São Paulo, onde, por meio das lutas sindicais, adquiriu consciência política e tomou contato com as idéias do Partido Comunista Brasileiro. Após a institucionalização da ditadura, processo iniciado a partir do golpe civil-militar de 1964, Virgilio passou a assumir posição destacada na luta contra a opressão, tornando-se um guerrilheiro da Ação Libertadora Nacional, organização cujos fundadores e líderes foram Carlos Marighella e Joaquim Câmara Ferreira. Menos de um mês após ter comandado uma das ações mais espetaculares da luta de resistência contra a ditadura, o seqüestro do embaixador americano, Virgilio, o "Jonas" da ALN, foi brutalmente assassinado sob torturas na sede da famigerada Operação Bandeirantes, em 29 de setembro de 1969, e se tornou o primeiro desaparecido político brasileiro
Apresentação feita por Manoel Cyrillo de Oliveira Netto
Soube da morte do Jonas de cabeça pra baixo, pendurado em um pau-de-arara, na Operação Bandeirantes.Diante de paredes e pisos manchados pelo seu sangue, entre dezenas e dezenas de perguntas e afirmações simultâneas, em meio a muita pancada, chutes e choques, registrei a triste notícia:

- Tá vendo este sangue, é do Jonas, é o sangue de um brasileiro, o filho da puta tá morto!

Na véspera de minha prisão, no dia 29 de setembro de 69, o Estado brasileiro havia assassinado o companheiro Virgílio naquela mesma câmera de tortura.

Hoje, o Virgílio está mais vivo do que nunca. Cresceu. Perpetuou-se. Fez história. Diferentemente, os seus algozes, os vivos e os mortos, estão encurralados em uma câmera do inferno, sofrem, torturam-se - são uns pobres-diabos.

Parabéns à Edileuza e ao Edson, historiadores de ótima cepa, que fizeram uma pesquisa e um trabalho maravilhosos. Virgílio Gomes da Silva: De retirante a guerrilheiro passa a ser uma referência. É um livro que, praticamente, nasce como um clássico, de leitura obrigatória. E, o melhor, o trabalho também é uma mostra de que está em andamento o fim do reinado do revisionismo subserviente na historiografia do período. Virgílio Gomes da Silva: De retirante a guerrilheiro revela-nos o seu personagem central, o nosso Jonas, como um homem, como gente e, nunca, como o anti-herói ou o vilão, como retratado no filme O que é isso, companheiro?

Ao longo da narrativa, descobriremos a bela trajetória pessoal e política do Virgílio, um cidadão que não desceu de pára-quedas para comandar a ação de captura do embaixador Elbrick. Também nos depararemos com capítulos e episódios duros e cruéis, retratos do que era a vida do país naquela época. E, no final, o resultado será gratificante e saberemos melhor prezar o esforço e a resistência do Virgílio, um brasileiro.

Virgilio Gomes da Silva

de retirante a guerrilheiro

autores: Edileuza Pimenta e Edson Teixeira
112 páginas - Plena Editorial / Núcleo Memória

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+ Informações. VIDEOS

Vídeos para VIRGÍLIO GOMES DA SILVA
Virgilio Gomes da Silva Presente! 1
7 min - 18 nov. 2009
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Homenagem à Virgílio Gomes da Silva I
6 min - 3 dez. 2009
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Vídeos para VIRGÍLIO GOMES DA SILVA
Virgilio Gomes da Silva Presente! 2
6 min - 18 nov. 2009
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Homenagem à Virgílio Gomes da Silva II
5 min - 3 dez. 2009
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