APESAR DE VCs

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Retomaremos este Blog para postar as Histórias da Ditadura, como um BLOG janela ligado ao Blog JUNTOS SOMOS FORTES

NOSSOS HEROIS -

NOSSOS HEROIS -
Amigos(as) Criei uma pagina no FACEBOOK intitulada : NOSSOS HERÓIS. Meu objetivo é resgatar a história dos mineiros (as) que lutaram contra a ditadura militar. Fui Presidente do Comitê Brasileiro Pela Anistia/MG e estou postando todas anotações que fiz durante esse periodo. São documentos históricos e inéditos. Caso tenha interesse dê uma olhadinha Abraços BETINHO DUARTE

Monday, April 04, 2011

Bate Bola Memoria Viva - A Guerrilha do Araguaia por Marco Lisboa

Hoje inauguramos uma etapa  que visa resgatar a história via protagonistas. A Primeira memoria Viva  fala sobre a Guerrilha do Araguaia.

Quem é: 
Marco Lisboa por Marco Lisboa - Eu fui preso em 71 e participei da diretoria da UNE na gestão Honestino (71 a 73). Fiquei clandestino até 79. Era militante do PC do B. Poderia dar um depoimento sobre a UNE neste período. e tb. falara sobre a Guerrilha do Araguaia , tema de seu livro


    • Fernanda Tardin Marcos este album tem imagens chocantes. Destaco a foto 5 que pergunta: Onde estao nossos mortos e desaparecidos do Araguaia. Quem sabe?

    • Fernanda Tardin e como era o tratamento médico. Como chegavam remedios, medicos, ...que recebiam os guerrilheiros .

    • Marco Lisboa Os militares, com certeza sabem. Volta e meia, um resolve soltar um pouco da história, até para chantagear os seus colegas. Eles se sentem menosprezados e abandonados. O Curió, por exemplo, faz todo um estardalhaço e depois recua. Se o governo não intervir decisivamente, este jogo de empurra irá se manter. A comissão do exército que foi ao Araguaia não irá encontrar nada. Os representantes da sociedade civil que se dispuseram a participar dela estão sendo ameaçados. E o pior, o PC do B não denuncia esta farsa.
      Fernanda Tardin dia 31 de março foi preso o boçal curió. Com ele varios documentos da guerrilha. Devemos esperar algo daí? A condenação que o Brasil sofreu em Corte Internacional devido a guerrilha do Araguaia, vai ajudar em esclarecer alguns fatos e achar alguns corpos de desaparecidos?
       
        o acesso a tratamentos de saúde e a medicamentos:
       
       
      Marco Lisboa
      Havia um médico, Carlos Haas e vários estudantes de medicina e enfermagem entre os guerrilheiros. Os guerrilheiros recebiam orientação para tratar de pequenos ferimentos, encanar um membro, extrair dentes. Os remédios tinham que ser comprados fora da área, por encomenda ou diretamente. No início, os guerrilheiros abriram uma farmácia, mas durante as campanhas, só contavam com os remédios estocados. Esta farmácia era muito precária. Uma sobrevivente do destacamento A me contou que havia mais anticoncepcionais do que antibióticos. Maurício Grabois necessitava de remédios para hipertensão que tinham que ser comprados fora. Zezinho era o elemento que conseguia entrar e sair da região. O Rio Araguaia formava uma barreira quase intransponível. Os guerriheiros acabaram ficando presos entre ele e as estradas perimetrais que as tropas abriram. Os militares vigiavam todos os moradores e controlavam as compras que estes faziam, durante a terceira campanha.
      Marco Lisboa A condenação é importante porque a meta que o Brasil persegue com mais firmeza em sua política externa é conseguir uma cadeira no conselho de segurança da ONU. Não sabia da prisão do Curió. Ele ficou na região depois da guerrilha, e se tornou um pequeno imperador local. Uma de suas tarefas era vigiar os moradores e fazer a queima de arquivos. Ele pode falar, mas como não é possivel pendurá-lo num pau de arara, penso que só o fará em troca de algo (imunidade e ou recompensa), Ele é um verdadeiro mercenário.

    • Geraldo Dantas Poderoso Marco qual a sua opinião a respeito de uma parte da esquerda querer tornar Jose Alencar como um dos nossos mortos tais com Lamarca e marighella?
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      A Justiça aliada aos opressores e ditadores de Hoje 
      Geraldo Dantas Poderoso Curió ficou preso das 22h30 de quarta-feira até a 1h30 da quinta. A libertação do major foi decidida no plantão do juiz Frederico Ernesto Cardoso Maciel, do Tribunal de Justiça de Brasília. O Tribunal de Justiça não informou a razão do alvará de soltura do militar, se ele alegou problemas de saúde ou se foi beneficiado pela idade, acima dos 70 anos.
      Marco Lisboa
       Geraldo, Uma parte da esquerda foi mordida pela mosca azul do poder. Suas intervenções são todas eleitoreiras. Eles chegaram ao cúmulo de retocar o passado. Outro dia vi uma entrevista em que se defende a tese de que Dilma estaria muito mais interessada em um trabalho de conscientização do que em participar de um movimento armado. Qualquer um que viveu nesta época sabe que ninguém lutou para conseguir uma democracia burguesa. E que o divisor de águas na esquerda era justamente a luta armada. Se Dilma queria fazer um trabalho de conscientização, a opção era o PCB. Eles reduziram toda a luta política a uma simples disputa eleitoral, onde o que vale é ganhar uma fatia do poder.
       
      A Importancia dos Movimentos Sociais e a atual situação da luta: 
      Marco Lisboa
      A participação das entidades de massa nessa luta é essencial. A UNE homenageou Honestino Guimarães com a criação de um Instituto. Entretanto, até agora, não se interessarem em escutar o meu depoimento sobre a sua diretoria. Éramos 11 diretores, 6 militantes do PC do B e 5 de AP, que na época, estava rachada.
    • Fernanda Tardin Marco, ainda hoje o Araguaia é muito pouco compartilhado.Então, em tempos de conhecer a história para seguirmos a luta, a que se deu o racha na AP e o que isto foi prejudicial na guerrilha, no caso do Araguaia?

    • Marco Lisboa
      A AP sofria grande influência do maoismo. Uma parte, que estava representada na diretoria da UNE, discordava das análises sobre a realidade brasileira que consideravam o Brasil um país agrário e com um regime semi-feudal no campo. 
      Defendiam
      um revolução socialista, sem passar pelo estágio democrático-burguês que o PC do B defendia. Com a deflagração da guerrilha, a maioria de AP se incorporou definitivamente ao PC do B, em 73. Hoje os principais quadros dirigentes deste partido vieram de AP. Na verdade, a escolha do local, impediu que chegassem reforços para os guerrilheiros. Foi muito diferente do que aconteceu em Cuba, onde as cidades mandavam constantemente homens, armas e recursos para a guerrilha. Neste sentido, os militares puderam tranquilamente aniquilar com a guerrilha e depois acabar com o que havia sobrado nas cidades.
      Fernanda Tardin quanto tempo vc. viveu a realidade da guerrilha in loco?

    • Marco Lisboa Eu havia pedido para fazer o trabalho de campo. Fui recusado. Acabei indo para a UNE. Até 75, quando perdi o contato com o partido, nós tentávamos distribuir materiais para as redações dos jornais, fazer pichações e outras ações pequenas para divulgar a guerrilha. Não sabíamos que o movimento havia sido derrotado no início de 74. O PC do B ainda manteve durante muito tempo a ilusão de que o movimento resistia. Um dirigente chegou a dar uma entrevista na Europa falando de uma imensa área libertada.
      há 15 horas · ·  1 pessoa
    • Fernanda Tardin Marcos, dizem que a população local foi a maior das dificudades a se transpor no Araguaia. Quais foram ( se foram) estas dificuldades e como ( se) as venciam?
       
      Marco Lisboa
      A região é extremamente hostil. Os guerrilheiros tinham crises de malária semanais. O clima é quente e muito úmido. Eles sofriam com frieiras e diarréia. Havia ainda a leishmaniose visceral (calazar) que é mortal se não tratada. as armas eram espingardas de caça e aqueles rifles 44 que o Búfalo Bill usava. Quando havia um encontro, a superioridade de armamento das tropas era enorme. Eles atiravam e saiam correndo para não morrerem. A locomoção na mata era muito difícil e vários guerrilheiros se perderam. Quanto à população, eles respeitavam e gostavam dos "Paulistas" (como eram conhecidos). Mas quando o exército passou a prender, torturar e oferecer recompensas, eles entregaram vários guerrilneiros. Depois da terceira campanha, houve uma terceirização. Os mateiros saiam caçando cabeças, literalmente. Houve participação de moradores na guerrilha, mas não foi importante do ponto de vista militar. Eles não estavam preparados psicologicamente para enfrentarem uma guerra prolongada. A tradição de luta e o nível de organização das massas era muito baixo na região.


    • Fernanda Tardin O Povo por quem se lutava era o POVO que os entregavam. Só destacando e para não interromper , depois traçar o paralelo com fatos de hoje.


    • Geraldo Dantas Poderoso Marco vc se sente frustrado com a atuação mediócre da UNE nos tempos atuais?


    • Marco Lisboa Certamente. Ela virou um apêndice governista. Meu filho fez o último vestibular da UFMG para Arquitetura e recebeu a famosa prova amarela. Teve que refazê-la. Ele só ficou sabendo que estava classificado para a segunda etapa uma semana antes. Foi um festival de incompetência que o governo tratou de amenizar, por motivos politicos eleitoreiros. A UNE, ao invés de se colocar ao lado dos estudantes, tomou as dores do governo.

    • Fernanda Tardin este fato se deve aos 40 anos de aculturamento progressivo ou ao fato de estarem mov. sociais , em parte ( maioria) atrelados(comandados) a politicos e ou partidos?
       
      O fator empecilho: A COMUNICAÇÂO precaria 
       
      Marco Lisboa
      O PC do B defendia que a guerra popular é uma guerra de todo o povo. O povo na região ficou entre dois fogos. Eles não concordavam com as atrocidades dos militares, mas não estavam enganjados numa luta contra a ditadura e nem aquela era a sua maneira de lutar. Aquela região era esquecida por todos, suas reivindicações eram muito básicas: escola, hospital, saneamento, etc. Eles não tinham um visão de Brasil. Muitos morreram, muitos enlouqueceram, eles não tinham estrutura para suportar aquele inferno. Não pode se dizer que foi uma opção política. Sua simpatia era pelos guerrilheiros, mas eles optaram por sobreviver.

    • Geraldo Dantas Poderoso Marco qual a sua opinião a respeito de uma parte da esquerda querer tornar Jose Alencar como um dos nossos mortos tais com Lamarca e marighella?
      Marco Lisboa Respondi noutro item. Como diria o Casoy´: é um absurdo!



    • A Transformação da Realidade Universitaria e academica e o aculturamento social
      Marco Lisboa
       Geraldo e Nanda, A UNE sempre foi ocupada por militantes de direita, de esquerda, ou de movimentos católicos. Acho que a mediocridade atual é reflexo de uma realidade mais global. Há uma inegável despolitização da sociedade. Por outro lado o perfil do universitário mudou radicalmente. Eu comecei o curso de engenharia em 68. De uma turma de 60, um ou dois tinham automóvel. Vários eram estudantes pobres do interior, que moravam em pensões. A escola pública era ainda de ótima qualidade. Eu fiz o primeiro e o segundo grau em escolas públicas. Os cursinhos estavam começando. O maior número de vagas era na Universidade pública. Hoje todas estas relações se inverteram. O próprio papel da Universidade, que antes era um pólo de discussões importantes para a sociedade se perdeu. Hoje os estudantes mais pobres se matam para estudar numa universidade particular de péssima qualidade. Estes estudantes, que são talvez a maioria, trabalham, estudam e vivem à
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      Os Erros da Guerrilha
       
      Geraldo Dantas Poderoso Quais foram os erros cometidos por parte dos lideres da guerrilha do araguaia?

    • Marco Lisboa
      A escolha do local, a infraestrutura muito precária e a falta de opção para recuar ou abandonar a área. O PC do B era um partido muito pequeno e não estava à altura da tarefa que se propôs. A concepção política que orientou a guerrilha, muito calcada na experiência chinesa era inadequada a nossa realidade. Por outro lado, o fascismo não fica bonzinho se nós não o combatermos. Era justo pegar em armas contra a ditadura. A trajetória política anterior do PC do B o levou a este enfrentamento. Os que optaram por travar a luta dentro do regime, privilegiando as formas legais, também foram dizimados. Grande parte da direção do PCB foi assassinada.
       
       OS SOBREVIVENTES da Guerrilha
       
      Geraldo Dantas Poderoso Ângelo Arroyo foi um dos dois únicos guerrilheiros que escaparam vivos do Araguaia, e por isso surgiu a falácia dele ter desertado? O que vc acha disso?
    • Segundo o próprio relatório Arroyo, dias antes dele sair da região, os guerrilheiros haviam decidido se dividir em 5 grupos e permanecerem na região. A partir daí o que era um confronto virou uma caçada. Ele tentou reestabelecer contato com a comissão militar, que havia sido emboscada no natal de 73. A região estava ocupada por militares e sendo vasculhada por helicópteros. Ele tomou a decisão de sair da área para contatar o partido nas cidades. Deveria ter ficado com os outros? Não sei dizer. Na minha opinião, a decisão correta seria todos tentarem uma fuga da região, tomando um barco e atravessando o Araguaia. Mas aquele era o trabalho de anos e anos. Os guerrilheiros começaram a chegar na região em 66. Era muito difícil admitir que o partido errara. Prefiro não julgar a atitude de Arroyo.
      Geraldo Dantas Poderoso José Genoino sumiu do cenário político, depois do escândalo do Mensalão. Na sua opinião isso mancha a sua biografia de ex-revolucionário, guerrilheiros do Araguaia?
      Marco Lisboa
      Genoino tem uma biografia autorizada: entre o sonho e o poder. O título diz tudo. Ele escolheu o poder e o mensalão passa a integrar a sua biografia. Ele vinha tomando posições cada vez mais à direita e com a guinada dada na eleição de Lula e no seu primeiro governo, com o tipo de modelo de governabilidade que se adotou, isto era inevitavel. A compra de apoios possibilitou a aprovação da reforma da previdência, entre outras medidas. Acho que ele fez uma opção política equivocada e irreversível. Atualmente o empenho de Lula e do PT é absolver os implicados no mensalão e reescrever a história. Nada se aprendeu do episódio.
      Paulo Oisiovici O meu contato em Correntina-BA,quando me desloquei para a região, Wilson Martins Furtado, foi designado por Arroyo. Pelo que me consta,
      o camarada Arroyo não desertou. Tanto que foi morto na Chacina da Lapa...
      Paulo Oisiovici Genuíno... esse sim foi um delator... traidor...

      Pelo Direito a Memoria e a Verdade 
      Marco Lisboa
      Eu considero que o discurso de Lula, ao se despedir do governo, afirmando sobre os militares que eles não poderiam ser julgados por "um ou outro deslize" foi uma senha para assegurar que não haveria punição para os torturadores. Dilma tem se distanciado discretamente de seu antecessor. Vamos ver se ela se dispõe a ir além nessa questão. Quando vejo as postagens de jovens na internet sobre o regime militar (aqueles que não são de organizações de esquerda) vejo como é profundo o desconhecimento sobre a nossa história recente. Este resgate deve envolver escolas, meios de divulgação, entidades de massa, buscar um público muito amplo. Minha mulher é bibliotecária de um colégio de elite de BH. Ano passado o tema da semana do livro foi o regime militar. Acho que devemos ocupara estes espaços. Eu pretendo fazê-lo lançando meu livro sobre a guerrilha do Araguaia.
       


    • Alderijo Bonache Muito oportuno vc lançar luz sobre o triste episódio da guerrilha do Araguaia!
      Marco Lisboa
      Vários amigos meus morreram lá. Por incrível que pareça, a insurreição de 35 é muito mais documentada e divulgada do que a guerrilha. O próprio regime considerou que ela foi a ameaça mais séria que houve à sua existência. Durou 3 anos, envolveu o deslocamento de milhares de soldados, a construção de quartéis e estradas na área e colocou em má situação os militares perante os investidores internacionais. Durante a década de 70 prevalecia a teoria Kissinger do efeito dominó. Houve a derrota dos americanos no vietnã, a libertação das colonias portuguesas na África, a própria revolução dos cravos, enfim durante um momento parecia que o imperialismo balançava. O mundo viveu uma grande crise (crise do petróleo e estagflação). Infelizmente, não foi a saída revolucionária que prevaleceu.

    • Geraldo Dantas Poderoso O ex-presidente Lula, foi um sindicalista que chegou a ao poder, porém Dilma é uma revolucionário, e como tal tem outra mentalidade política.
    • Fernanda Tardin" Durante a década de 70 prevalecia a teoria Kissinger do efeito dominó." sei que é teoria economica, mas não sei o que é.
    • Marco Lisboa Poucos dias atrás, o PC do B publicou uma nota de protesto de um dirigente do Pará, repudiando as ameaças que os membros da comissão que participa da busca dos corpos estavam sofrendo. A hora de agir é agora. Dilma tem todas as condições de fazer um gesto concreto. A região da guerrilha até hoje sofre a influência de Curió e dos militares interessados em encobrirem as execuções de prisioneiros indefesos. Um pronunciamento seu poderia mudar isto.
      Marco Lisboa A teoria do dominó era aplicada no Sudeste Asiático. Dizia que se o Vietnã caisse, cairia o Laos, depois o Camboja, depois a Tailandia, e assim por diante. Ela justificava o papel de policia americano.
    • Fernanda Tardin Se tomarmos por base o fato que Nixxon citou: Por onde caminhar o Brasil, caminhará a AL" ,podemos observar que o Araguaia foi estrategico e que continua sendo?
      Fernanda Tardin estaria assim atual a teoria do dominó? ( gosto de fazer a relação da história , até mesmo como alerta )
      Geraldo Dantas Poderoso Prisão de Curió, chefe da repressão no Araguaia, não é um sinal que Dilma esteja mexendo os pauzinhos?
      Marco Lisboa
      Durante a segunda campanha, o Estadão conseguiu publicar uma reportagem sobre a guerrilha. Os milicos endoidaram quando saiu no NY Times que havia uma guerrilha no Brasil. Eles mudaram a abordagem na terceira campanha, onde deixaram de lado as campanhas assistenciais que buscavam ganhar o apoio da população. Os chineses usavam uma metáfora: o guerrilheiro está no meio do povo como o peixe na água. Os milicos trataram de tirar a água. Prenderam todos os apoiadores da guerrilha, queimaram suas plantações, torturam indiscriminadamente e deixaram os guerrilheiros sem apoio.
      Marco Lisboa A teoria do dominó era aplicavel num contexto de guerra fria. Não é que o imperialismo mudou, o que mudou foi a correlação de forças. Hoje as grandes potências (Rússia, Europa, China e USA) competem e cooperam sem contradições antagônicas. Na Líbia, Rússia e China cruzaram os braços e deixaram as mãos livres para a Otan e os EUs. O modelo colonialista e neocolonialista está ultrapassado. Hoje em vez de se mandarem os
      Fernanda Tardin mas a região continua sofrendo 'investimentos' estrangeiros para , no meu entendimento, permanecerem dominando a exploração dos recursos naturais e tb. para vigiar (facilitar) as fronteiras de outros países ( bolivarianos principalmente) explorados em ditaduras?
      Marco Lisboa
      Na época da guerrilha, a exploração de minérios na região era muito pequena. A região do bico do Papagaio, onde houve a guerrilha, está muito longe das fronteiras. A guerrilha colombiana está num beco sem saída. Eu não acredito que haja interesse numa ocupação militar desta região. A mata amazônica é muito densa e somente pequenos aviões (tipo os tucanos) são úteis para monitorar fronteiras. Hoje os capitais estrangeiros acessam qualquer recurso que queiram em qualquer parte do mundo, sem a necessidade de ocuparem a região. A própria Líbia comercializava a maior parte de seu petróleo com a Europa.
    • Fernanda Tardin Desculpa aqui começa(RE) a chover e trovejar, tenho9 que desligar por causa dos piques de Luz. Amanha tomarei a liberdade de ajuntar as postagens resgates e posta-las. Continuem, pelo direito a verdade e a memoria.
       
      O USO DESTES RESGATES em ula HOJE
       
      Paulo Oisiovici Sou professor de História e Filosofia no Colégio Estadual Duque de Caxias, em Correntina-BA. Trabalho com turmas do ensino médio. Tenho trabalhado dentro do possível para o resgate desse acontecimento recente da nossa História e levá-lo ao conhecimento dos jovens. Considero esse estudo imprescindível para que ela não se repita...
      Marco Lisboa Eu acho muito importante este trabalho. A memória é um patrimônio nacional. Infelizmente, a despolitização é um fenômeno mundial. Hoje chegamos ao ponto em que as grande agremiações de esquerda e de direita, institucionais, convergem em seu discurso. Na Europa, a social democracia e o neo-liberalismo já se confundiram totalmente.

    Companheiros, vou ter que deixar o bate-papo. Tentei responder a todos, se alguém quiser mais algum esclarecimento, mande uma mensagem para o meu facebook. Gostei muito da oportunidade. As 100 primeiras páginas de meu livro sobre o Araguaia podem ser encontradas nas postagens mais antigas do meu blog:
    www.elsenorgato.blogspot.com
    Abraços a todos
    www.elsenorgato.blogspot.com

Saiba mais 

Guerrilha do Araguaia: Marcas de uma Guerra

Já se passaram mais de 40 anos, mas as marcas deste período continuam nas vidas de centenas de pessoas. Instaurada em 1964 a ditadura militar foi um período marcado por censura e perseguições políticas. Neste clima de repressão não demoraria surgir grupos de resistência contra o governo militar, entre eles estavam os guerrilheiros do Araguaia, homens e mulheres decididos a lutar contra essa situação.

 A Guerrilha do Araguaia foi uma das batalhas mais violentas durante o regime militar; ocorreu entre 1972 até 1975 na região entre o Pará e Tocantins. O governo militar enviou cerca de dez mil soldados para combater um grupo de setenta guerrilheiros que na maioria eram acadêmicos vindos de diversas regiões do Brasil, entre eles estavam o ex-militar Osvaldo Orlando da Costa (Osvaldão) e a enfermeira Dianaelsa Santana (Dina) apontados como os lideres desse levante.

As pessoas que moravam em Cidades como Xambioá no atual estado do Tocantins, passaram a viver com o terror. Todos que fossem suspeitos de ter algum tipo de ligação com os guerrilheiros eram presos e torturados, casas eram incendiadas e mulheres violentadas, o medo passou a ser uma companhia constante.

        Os traumas nas vidas dessas pessoas, mesmo após anos não se apagam, Antônio Alves de Sousa, é uma das vitimas dos militares, sua vida estará para sempre marcada pelo terror e opressão que viveu. Ele ficou preso 22 dias sofrendo, choques elétricos, afogamento, e outros tipos de torturas.


Seu Antônio conta que por anos ficou com medo de tocar no assunto, ele diz que guarda muita mágoa e isso não se apaga com o tempo e que dinheiro nenhum paga o sofrimento e a humilhação que ele viveu.

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