APESAR DE VCs

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Retomaremos este Blog para postar as Histórias da Ditadura, como um BLOG janela ligado ao Blog JUNTOS SOMOS FORTES

NOSSOS HEROIS -

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Amigos(as) Criei uma pagina no FACEBOOK intitulada : NOSSOS HERÓIS. Meu objetivo é resgatar a história dos mineiros (as) que lutaram contra a ditadura militar. Fui Presidente do Comitê Brasileiro Pela Anistia/MG e estou postando todas anotações que fiz durante esse periodo. São documentos históricos e inéditos. Caso tenha interesse dê uma olhadinha Abraços BETINHO DUARTE

Saturday, April 02, 2011

Entrevista de Neuza: Memórias da Dor e parte IV da Operação Condor em curso

egunda-feira, 31 de março de 2008

Entrevista de Neuza: Memórias da Dor e parte IV da Operação Condor em curso







(As Fotos da Reportagem em sequencia como aparecem no artigo abaixo.)



NEUSAH CERVEIRA, GENÉTICA REVOLUCIONÁRIA




Laerte Braga





Neusah Cerveira nasceu em dezembro de 1958, cinco anos e meio antes da quartelada de 1964. Filha do major Joaquim Pires Cerveira, oficial superior e de carreira do Exército, integrante do Partido Comunista Brasileiro e que desde o primeiro momento (Ato Institucional nº I) foi afastado das forças armadas como conseqüência da vitória dos militares golpistas. A "limpeza" promovida pelos golpistas atingiu mais de 2500 militares, entre legalistas, comunistas e nacionalistas de esquerda.



Neusah tem a genética revolucionária.









Neusah Cerveira no IIº Congresso da Cordinadora Continental Bolivariana







O pai seqüestrado em 1973 na Argentina foi assassinado, em 1974, nas dependências do DOI/CODI à rua Barão de Mesquita, no Rio de Janeiro, sede da Polícia do Exército, um dos centros de terror da ditadura militar. É um dos desaparecidos políticos desse período de sombras e trevas da História do Brasil e o primeiro brasileiro assassinado na OPERAÇÃO CONDOR.



A tese de doutorado da professora Neusah Cerveira tem os genes da luta travada pelo pai. "MEMÓRIA DA DOR – A OPERAÇÃO CONDOR (1973/1975) A GÊNESE". Foi a luta de toda a família num certo momento e diante da insanidade deliberada e hipócrita da repressão. Continua sendo a luta de Neusah, o resgate da história desse momento e a percepção que os métodos continuam os mesmos agora sob a égide e o rótulo de democracia.



Delegada ao IIº Congresso da Cordinadora Continental Bolivariana (CCB), realizado em Quito, Equador, no Palácio da Cultura e patrocinado pelo governo bolivariano do presidente Rafael Corrêa – 24 a 27 de fevereiro – ao que saiba foi a única brasileira presente ao acampamento do chanceler das FORÇAS ARMADAS REVOLUCIONÁRIAS COLOMBIANAS-EXÉRCITO POPULAR (FARCs-EP), Raúl Reyes. Por um detalhe, a passagem estava marcada para o dia 28 e o ataque terrorista do governo do narcotraficante Álvaro Uribe contra o acampamento, aconteceu na madrugada de 29 de fevereiro para 1º de março. Saiu na véspera do atentado.



O CONGRESSO DA CORDINADORA CONTINENTAL BOLIVARIANA



O IIº Congresso da Cordinadora Continental Bolivariana teve como objetivo unir forças para o combate ao imperialismo norte-americano, na expectativa de criar um movimento de espectro mundial para proteger os governos populares da América Latina, criando estratégias para conter o possível avanço imperialista dos norte-americanos usando a principal base de operações na região, a Colômbia. Além desse tema, vários aspectos da luta bolivariana dentre os quais a integração de forças num espectro amplo de atuação foram discutidos por representantes dos vários capítulos presentes. Chile, Nicarágua, Cuba, Brasil, Venezuela, Porto Rico, País Vasco (Espanha), dentre outros (a totalidade das forças bolivarianas). O objetivo maior foi o de criar uma unidade latino-americana que tenha o caráter de movimento de resistência a uma possível invasão pelo império de países da América Latina.



Neusah Cerveira foi ao Equador integrando a delegação brasileira, na condição de presidente do CEPES (Centro de Educação Popular e Pesquisas Econômicas e Sociais), cujo presidente de honra é o arquiteto Oscar Niemeyer, membro do Capítulo brasileiro bolivariano. Além de participar do Congresso foi com a tarefa de ministrar uma palestra, no Seminário que antecedeu o Congresso, sobre a OPERAÇÃO CONDOR, FASE IV.







Marcha de Quito pedindo a retirada da base de Manta no Equador



Foi exatamente a FASE IV da OPERAÇÃO CONDOR que todos julgavam desaparecida nas selvas da Nicarágua (fim da experiência sandinista) que resultou no ataque terrorista contra o acampamento de Raúl Reyes.



A tese de doutorado de Neusah Cerveira, "MEMÓRIA DA DOR – A OPERAÇÃO CONDOR (1973/1975) A GÊNESE", mostra o nascimento da cumplicidade dos regimes militares da América do Sul no processo de eliminação de adversários, filme de terror escrito, montado e dirigido por Washington, a cujo governo essas ditaduras se subordinavam.



A presença da delegação das FARCs e mais particularmente do chanceler Raúl Reys se deu pela própria natureza do Congresso, como foi parte de mais uma etapa do processo de negociações para a libertação da ex-senadora Ingrid Betancourt, prisioneira de guerra da força insurgente. Reyes recebeu representantes do governo da França (a ex-senadora tem dupla nacionalidade – colombiana e francesa-).



O ASSASSINATO DE REYES FOI DECIDIDO EM WASHINGTON



Na opinião de Neusah Cerveira a decisão de matar Reyes no atentado da madrugada de 29 de fevereiro para 1º de março estava tomada com larga antecedência e foi decisão de Washington. As investigações que se seguiram ao ato terrorista do narcotráfico que governa a Colômbia comprovaram isso. As bombas utilizadas são de alto poder de destruição e de última geração tecnológica no aparato militar/terrorista dos EUA.











Raúl Reyes dias antes de seu assassinato. "os que morrem pela vida não podem ser chamados de mortos"




Naquele momento o presidente e traficante Álvaro Uribe estava enfraquecido diante da comunidade internacional, principalmente França e outros países europeus, por ter rompido todos os acordos firmados sob aval do presidente Chávez para a troca de prisioneiros entre as forças beligerantes. O governo central da Colômbia (narcotráfico, paramilitares, grupos empresariais, sistema financeiro e latifúndio) e as forças rebeldes, os dois exércitos guerrilheiros. FARCs-EP e ELN (Exército de Libertação Nacional).



Desde o natal do ano passado Ingrid Betancourt poderia estar liberada, foram vários os acordos e em todas as oportunidades Uribe traiu os pactos. O narcotráfico que controla a Colômbia tenta uma reforma constitucional que permita a Uribe um terceiro mandato (a constituição do país permite uma reeleição) e isso interessa diretamente ao governo dos Estados Unidos. Um possível clima de comoção nacional com a liberação de Ingrid Betancourt fatalmente transformaria a ex-senadora em principal adversária de Uribe nas eleições presidenciais, abrindo perspectivas de negociações concretas para colocar fim à guerra civil na Colômbia.



A presença de Neusah no acampamento de trânsito (estava de regresso à Colômbia) onde se encontrava Raúl Reyes se deu à revelia da delegação brasileira e atendendo a um convite de natureza pessoal. Além de Neusah vários integrantes de outras delegações, estudantes mexicanos e chilenos lá estiveram e os que permaneceram foram mortos ou torturados por terroristas do governo central da Colômbia. As mulheres além disso foram estupradas.





CHÁVEZ PERCEBEU O CARÁTER GOLPISTA DO ATENTADO TERRORISTA



A reação do presidente da Venezuela Hugo Chávez foi decisiva para que a comunidade internacional manifestasse repulsa pela atitude de Uribe, tanto quanto a do presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva ao receber o presidente do Equador, Rafael Corrêa e manifestar apoio ao país alvo do atentado terrorista.







Centenas de milhares de colombianos protestam contra o governo Uribe nas principais cidades do país. Seis dos organizadores dos protestos já foram assassinados em condições misteriosas



Essas atitudes serviram para isolar a Colômbia na comunidade internacional de um modo geral e na OEA (Organização dos Estados Americanos) que, em resolução numa reunião de chanceleres condenou a atitude do presidente Uribe.



No dia seis de março o Capítulo Brasil da Coordinadora Continental Bolivariana divulgou nota oficial em entrevista coletiva à imprensa, condenando o assassinato de Raúl Reyes. O fato foi também ignorado pela chamada grande mídia. A nota foi lida por Aloísio Beviláqua, membro do coletivo dirigente da CCB na sede da ABI (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE IMPRENSA).



Uma das preocupações levantadas após o atentado decorre da demora na reação das forças militares do Equador, o que traz um elemento importante para a análise dos fatos. Militares equatorianos, provavelmente, foram cúmplices por omissão do atentado praticado pela Colômbia.



É sabido que em toda a América Latina os exércitos nacionais sofrem grande influência militar e política norte-americana e muitos dos generais são cooptados a partir de grandes somas em dinheiro, como o caso do general Baduel que foi ministro da Defesa do presidente Hugo Chávez e hoje é um dos principais líderes de oposição ao presidente venezuelano.



As próprias ditaduras militares nas três últimas décadas do século passado foram conseqüência de decisões tomadas em Washington.





OPERAÇÃO CONDOR É UMA REALIDADE QUE PERMANECE – GRANDE MÍDIA É CÚMPLICE



Os documentos levantados pela professora Neusah Cerveira no trabalho de pesquisa de sua tese serviram para demonstrar que a OPERAÇÃO CONDOR, ao contrário do que se pensava, não está extinta. Vive uma fase quatro, em condições e circunstâncias operacionais diferentes daquelas que marcaram as ditaduras militares.



O governo terrorista de George Bush liberou a tortura, o seqüestro e atentados como o praticado no Equador e se envolveu em problemas inclusive em países da Europa. Na Itália e na Alemanha agentes da CIA (AGÊNCIA CENTRAL DE INTELIGÊNCIA) enfrentam processos por crime de seqüestro de cidadãos de nacionalidades árabes. O próprio serviço secreto do governo terrorista de Israel, o MOSSAD, atua na América Latina, particularmente na área da chamada Tríplice Fronteira, onde é grande o número de imigrantes palestinos.



Uma das exigências norte-americanas em relação a países como a Colômbia, ocupado e cujo governo é operado a partir de Washington, é que funcionários e militares dos EUA não sejam acusados e julgados por tribunais internacionais por crimes contra os direitos humanos.







Neusah Cerveira em Juiz de Fora onde falou sobre o Congresso da Cordinadora Continental Bolivariana









Outra constatação feita logo após o atentado é o caráter colonizado da grande mídia nos países latino americanos. As grandes redes de tevê, os grandes jornais, as cadeias de rádio e as revistas são mantidas por grupos econômicos (através da publicidade) atrelados ao processo de globalitarização imposto pelos EUA ao mundo.



Assim, conseguem difundir versões que interessam aos ianques em detrimento da informação isenta. É o caso da maior rede de tevê privada do Brasil, a GLOBO. Ao contrário do governo brasileiro que não considera as FARCs como organização terrorista e segue a determinação da ONU que enxerga no exército rebelde colombiano o caráter de "força insurgente", a rede trata a guerrilha como "terroristas".



Esse processo tem sido vital no distorcer, anestesiar e mentir através de jornais e mesmo em pequenas situações em novelas, programas de auditório, onde passa a mensagem terrorista de Washington. O próprio governo Lula tem sido vítima desse tipo de trabalho.



Tem sido assim aqui e no Oriente Médio, onde as atrocidades praticadas pelo governo terrorista de Tel Aviv são omitidas e os palestinos transformados em "terroristas", mesmo com o relatório da Comissão de Direitos Humanos da ONU considerando o contrário, ou seja, naquela parte do mundo se trava uma guerra de libertação nacional, completamente diferente do terrorismo clássico.



O Congresso da Cordinadora Continental Bolivariana mereceu cobertura internacional de agências de notícias como a PRENSA LATINA, OSPAALL, ASSOCIAÇÃO BOLIVARIANA DE PRENSA, REVISTA TRI-CONTINENTAL, IMPRENSA INTERNACIONAL (AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS, REVISTAS), IMPRENSA VENEZUELANA e ignorado pela GRANDE MÍDIA BRASIILEIRA.



O que ficou evidente para Neusah Cerveira no atentado que matou Raúl Reyes e dias depois o comandante Ivan Rios foi a existência da fase quatro da OPERAÇÃO CONDOR. Executada diretamente a partir de Washington e governos supostamente democráticos em países latino-americanos, asiáticos, africanos e europeus.



Dirigentes, chefes de governo, militares contrários aos EUA, militantes são sistematicamente assassinados em qualquer parte do mundo, dentro da decisão do império de controlar todos os "negócios" do ponto de vista político e econômico. Numa certa medida é o sonho do III Reich, o domínio do mundo se manifestando no IV Reich, o do texano George Bush.



Essas ações envolvem os porões das ditaduras militares, muitos dos quais intactos, inclusive no Brasil, só que agora numa rede diretamente subordinada a Washington, ou a governos títeres como o da Colômbia.





CONDOR IV – O TERRORISMO DA CASA BRANCA – O IV REICH



O espectro da OPERAÇÃO CONDOR – FASE IV pode ser medido nos campos de concentração mantidos pelo governo norte-americano em Guantánamo (território ocupado em Cuba) e no Iraque a Afeganistão. Na América Latina a presença de governos de esquerda e centro-esquerda, todos eleitos, ameaça a hegemonia de Washington e coloca em risco os "negócios".



No Equador, por exemplo, os EUA firmaram um contrato com governos anteriores para a construção da base de Manta. O contrato termina no próximo ano e o presidente Rafael Corrêa já avisou que não vai renová-lo.



Os objetivos aqui vão desde o controle do petróleo venezuelano, passam pela internacionalização da Amazônia e chegam à Tríplice Fronteira, onde ocupam e controlam o governo do Paraguai, mas sentem a perspectiva de derrota nas eleições presidenciais deste ano.



A última colônia na América do Sul são as ilhas argentinas Malvinas, ocupadas pela Grã Bretanha. Dá a dimensão da voracidade imperialista na Região. A Grã Bretanha é a principal colônia dos EUA na Europa.









Major Joaquim Pires Cerveira – "a humanidade se move e a história segue sua marcha avassaladora





A unidade das forças populares num momento favorável a elas em toda a América Latina, deve ser objetivo principal para impedir que se instalem novamente governos dóceis aos norte-americanos e seus interesses. A criação de mecanismos de resistência é fundamental e os maiores riscos são de golpes de estados na Venezuela, Equador e Bolívia, além de sistemáticas campanhas contra o presidente do Brasil lideradas pela grande mídia.



O maior desafio, afirma Neusah Cerveira, é o da comunicação e os processos de formação e organização devem dar especial atenção a isso, levando em conta a correlação de forças, desigual para a luta popular. Neste momento se impõe uma frente de movimentos populares, partidos de esquerda e sindicatos em torno de questões fundamentais para a sobrevivência das perspectivas mínimas de preservação das soberanias e independência dos países latinos, no que as propostas de integração feitas pelo governo de Hugo Chávez restam decisivas para essa luta.



Em maio deste ano será lançado o livro de Neusah Cerveira, "MEMÓRIA DA DOR", com os principais momentos de sua tese sobre a OPERAÇÃO CONDOR. A tese de doutorado trata da gênese da operação terrorista montada em Washington durante o período das ditaduras militares na América Latina.




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