APESAR DE VCs

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Retomaremos este Blog para postar as Histórias da Ditadura, como um BLOG janela ligado ao Blog JUNTOS SOMOS FORTES

NOSSOS HEROIS -

NOSSOS HEROIS -
Amigos(as) Criei uma pagina no FACEBOOK intitulada : NOSSOS HERÓIS. Meu objetivo é resgatar a história dos mineiros (as) que lutaram contra a ditadura militar. Fui Presidente do Comitê Brasileiro Pela Anistia/MG e estou postando todas anotações que fiz durante esse periodo. São documentos históricos e inéditos. Caso tenha interesse dê uma olhadinha Abraços BETINHO DUARTE

Wednesday, April 06, 2011

Memoria Viva - Safrany - a Formação é essencial no Processo de Construção revolucionária

Memoria Viva - Safrany

"Fernanda Tardin:
Conforme solicitado pelo grupo que vai elaborar o documento sobre o período da última ditadura civil-militar, envio, en anexo, um breve relado de minha vida e miltância política para apreciação e eventual aproveitamento, se julgarem apropriado.
Preferi enviar por esta via pois há denúncias sérias contra o facebook de utilização indevida
Saudações Bolivariano-revolucionárias!" Safrany

    • BREVE RELATO DE UM ATIVISTA POLÍTICO -
                                                                                                        José Safrany Filho.

      Sou filho de família humilde, nascido em S. Caetano do Sul/SP, em 1945, menos de um mês depois dos crimes contra a Humanidade em Hiroshima e Nagaski, perpetrado pelos Estados Unidos da América do Norte. Meu pai foi operário e ativista político junto ao partido de Luíz Carlos Prestes, conhecido como “O Cavaleiro da Esperança” que pretendia levar o Brasil para uma sociedade verdadeiramente justa: o Socialismo. E meu pai foi coerente com seus princípios até os seus últimos dias, em janeiro de 2000. Embora não fosse nunca forçado a acompanhá-lo em suas atividades políticas, eu aprendi, desde tenra idade, que elas eram realmente justas e, então, as abracei também.
      Participamos, juntos, em diversas campanhas eleitorais, desde as de Juscelino e Jango, embora a militância fosse permanente, com reuniões periódicas, distribuição de jornais do partido e outros materiais, além de várias eventos para angariar fundos financeiros.
      Em 1957 nos mudamos para S. Bernardo do Campo, onde meu pai trabalhava com móveis entalhados, o que não lhe propiciava renda suficiente para o sustento da família, de quatro membros, minha mãe cuidando dos afazeres domésticos e da saúde de todos.
      Então, meu pai, e eu logo a seguir, começamos a trabalhar nas indústrias ligadas ao automobilismo. Meu pai na Simca, depois Volkswagen e eu, pela ordem, na Brastemp, Gemmer, Toyota e Volkswagen, entre fins dos anos de 1950 e os de 1960. Pelo nosso ativismo político e o golpe civil-militar de 1964 fomos despedidos, ambos, ficando desempregados um bom tempo. Fazíamos trabalhos exporádicos, aqui e ali, mas não paramos com a atuação política junto ao antigo PCB e, também, junto ao Sindicato da categoria a qual fazíamos parte, o Sindicato dos Metalúrgicos. Nessa época, o Sindicato funcionava numa pequena casa alugada e passava por muitas dificuldades, assediado pela polícia e pelos patrões. Esteve a ponto de ser despejado, pois não havia sequer quem quisesse se dispor a ser fiador do aluguel da casa-sede do Sindicato. Foi, então, que meu pai, mesmo sendo estrangeiro (era húngaro), aceitou ser o fiador o que, depois do golpe, lhe custou o emprego na VW e muita perseguição policial, sendo ameaçado até de deportação. Foi, então, que ele conseguiu se associar a um colega para trabalhar num pequeno negócio por conta própria, um Bar-Restaurante popular, já que não conseguia mais arrumar emprego estável, fichado que estava como comunista e subversivo. E eu só consegui ser admitido na VW através de um concurso aberto para jovens egressos do curso colegial de então, 1964, a fim de ser aproveitado na formação de representante técnico da empresa, após mais de um ano de cursos diversos, na própria VW do Brasil de S. Bernardo do Campo, quando me refiliei ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (matrícula sindical nº012249, de 1967)
      Contudo, minhas atividades partidárias continuaram e eu fui alertado por uma ex- colega de classe do colegial, I. E. João Ramalho, três anos após a formatura, em 1968, filha de um oficial militar, de que meu nome constava de uma lista de subversivos, procurados pelo serviço de informações da ditadura, na eminência de serem presos.
      Tal fato, de princípio, não me alarmou muito, por estar acostumado às ameaças. Contudo, pouco tempo depois, a mesma pessoa, pela consideração pessoal que me tinha por ser, como ela, um dos melhores alunos do colégio e ser conhecido de seu pai, que também trabalhava para a VW, na área de segurança, insistiu em que eu deveria ter muito cuidado pois o alerta era verdadeiro e sério. Nessa ocasião, pretendendo voltar a estudar em alguma Faculdade e não tendo a família recursos financeiros suficientes para me bancar, eu havia pleiteado bolsa de estudos para o exterior, entre outros, junto à Associação Cultural Brasil-URSS, com sede em São Paulo. Já vinha frequentando a referida Associação, desde o ano de 1963, a fim de aprender o idioma russo e, assim, inteirar-me da cultura, costumes e saberes do povo soviético e tentar a bolsa. Em l968 minha bolsa foi confirmada e, após longa batalha para fazer valer o direito de viajar, já que houve um verdadeiro boicote da empresa aérea que deveria me fornecer a passagem, consegui, finalmente, em outubro de 1968, através da embaixada da URSS no Rio de Janeiro, a senha para obter a passagem e o visto de estudante e embarquei pouco antes do AI-5, que, como vim a saber posteriormente, teria, seguramente, me levado a ser preso como tantos outros companheiros de luta que ficaram no país.
      Em Moscou, fui levado para a Universidade da Amizade dos Povos “Patrício Lumumba”, onde deveria fazer o curso de Agronomia, após um ano de cursos preparatório para a língua russa e as matérias relacionadas. Nesse tempo, contudo, senti que minha vocação se enquadrava melhor com a Química e, então, fui transferido para a Universidade Estatal de Moscou “Lomonossov”, onde permaneci até 1973. Daí, segui para Estocolmo, Suécia, onde tentei me fixar trabalhando por alguns meses e procurando saber das condições no Brasil e a minha possibilidade de retorno sem riscos.
      Por complicações de saúde em família, meu pai necessitava submeter-se a cirurgia e minha mãe idem, ambos trabalhando eu seu pequeno negócio de restaurante, pediram-me que regressasse o mais depressa possível, coisa que atendi prontamente.
      No regresso não fui abordado na chegada, provavelmente por estar vindo da Escandinávia, via Paris, pois, como vim a saber depois, outros colegas que regressaram da URSS em seguida aos seus cursos, foram interrogados, ameaçados e constrangidos pela polícia de fronteira, por horas e, alguns por dias, ficando outros, inclusive, detidos.
      Ingressando na atividade comercial da família, para que meus pais pudessem passar pelas cirurgias que vinham adiando, passei a administrar os assuntos de restaurante, inicialmente e, depois, Casa Lotérica e Loja de artigos escolares, presentes e discos.
      Foi quando, a partir daí, passei a receber, esporadicamente, a visita de pessoas bem vestidas, que se negavam a se identificar mas que diziam que eu saberia do que se tratava, alertavam-me para eventuais retornos meus às atividades políticas subversivas que me trariam sérias consequências. Que era para eu ficar esperto pois estava sendo monitorado de perto e, qualquer deslise meu, eu poderia esperar o pior. E, para deixar isso evidente, recebi algumas outras visitas do gênero com as mesmas ameaças. Recentemente, consultando os arquivos do Estado e a Polícia Federal do DF, fiquei sabendo que, realmente, eu vinha sendo monitorado desde a década de 1960 e até a década de 1980, oficialmente, conforme informe resumido em meu poder, onde consta, entre muitas outras, todo meu percursos político, cultural, educacional. Viagens e militâncias, inclusive violação de minhas correspondências familiares e de amigos, atividades profissionais e partidárias.
      No final da década dos 1970, com a reascensão dos movimentos sindicais no ABC, principalmente pelos metalúrgicos, eu e meu pai nos engajamos na campanhas em apoio aos trabalhadores, nas passeatas, comícios de Vila Euclides, Osasco, ABC e, pricipalmeante, nas arrecadações de víveres que entregávamos na sede da igreja matriz de S. Bernardo do Campo. Chegamos, numa ocasião, a ser detidos e levados à delegacia de Vila Gonçalves, onde fomos interrogados por mais de 4 horas e, depois, sob muitas ameaças, liberados na madrugada para retornarmos à pe para casa.
      Com o fim do período mais obscuro da ditadura, passamos a militar inicialmente no MDB e, depois, no PT de S. Bernardo, a mesma base do companheiro Lula, em todas as campanhas eleitorais e atividades político-sindicais.
      Fui aposentado em setembro passado e, atualmente, estou filiado à AMA/ABC – Associação dos Metalúrgicos Aposentados (matrícula nº 26790), onde continuo minhas atividades sociais e políticas, além de estar, também, fazendo parte do Comitê Bolivariano de São Paulo, Comitê de Defesa do Petróleo e Soberania Nacional/SP e da AAENFF – Associação Amigos da Escola Nacional Florestan Fernandes/Guararema-SP
      S. Bernardo do Campo, em 15 de novembro de 2010. – José Safrany Filho – brasileiro.
      há 10 minutos
    • Fernanda Tardin compas sugiro apos leitura manifestarem aqui as perguntas e assim faço ao Safrany o encaminhamento da mesmas para que ele as responda.
      Fernanda Tardin ‎- minha pergunta inicial: noto que a formação recebida no 'exilio' que viveiu a fim de estudar m na URSS,foi de importancia . "É PROIBIDO RECUAR" com base formadora dada aos que estiveram em URSS , fez com que hoje ( e aqui já tivemos o exemplo de mais dois que estiveram na URSS- Marcos Lisboa e Paulo Oisiovici ) os revolucionaram que tiveram formação direta na URSS participem da luta revolucionaria. Não quero de forma alguma criticar conceitos ( mesmo pq. a epoca a conjuntura historica de CONSTRUÇAO que viveu Cuba explica isto - a URSS já estava construida e estruturada)e nem compas, mas destacar que não conheço NENHUM exilado em URSS na época da ditadura brasileira que hoje tenha se desviado dos propostos ideologicos da construção da luta e ideais revolucionarios. Como vê isto? Como . em época de reforma Politica e de filiações em massas nos partidos de esquerda, com formações para filiados cada vez mais raras, deveria se fazer cobrados os partidos na questão formação como processo fundamental de construção?
      alguns segundos atrás ·

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